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terça-feira, 23 de março de 2010

Vitalidade Sutil

Por Núbia Teixeira

A palavra pranayama deriva de dois termos sânscritos: prana, que significa energia vital, e ayama, que significa controle e expansão. A intenção dessa prática é respirar de forma consciente.

O volume de prana que circula por nossos corpos determina nosso nível de vitalidade. Podemos extrair essa energia vital de diversas fontes: da luz e do calor do sol, dos elementos que comemos, da água que tomamos e principalmente do ar que respiramos.

Na forma mecânica como respiramos normalmente, incorporamos superficialmente energia vital ao nosso sistema. Quando levamos nossa atenção à assimilação de prana por meio da respiração, o nível dessa energia se torna mais forte em nossos corpos.

[O pranayama consta de] modificações externas, internas ou retenção [da força vital]. É regulado por lugar, estação e números [e torna-se progressivamente] mais prolongado e sutil.
(Yoga Sutra – trad. Pedro Kupfer)

Como as artérias carregam o sangue por nosso corpo físico, nosso corpo energético (sutil) possui as nadis (meridianos) que são como rios que carregam prana pelo corpo.

Ao direcionar o fluxo de energia em nosso corpo sutil, o pranayama ajuda a despertar as nadis. Isso energiza os sete chakras, que são centros de purificação, estoque e distribuição de prana para o corpo físico.

Se nossa respiração está bloqueada, nossa sensibilidade, intuição, conexão com o mundo interior e exterior se tornam difíceis.

Normalmente, procuramos desenvolver a sabedoria por meios externos. O que esquecemos é que todo o universo pode se desdobrar a nossa frente por meio do conhecimento interior. Pranayama é uma ferramenta poderosa para alcançar esse conhecimento.

O movimento da mente está relacionado com nossa respiração. Se a respiração for suave e calma, as ondas em nossa mente seguirão o mesmo ritmo e vice-versa. Desta forma, quando a respiração transcende o nível de controle consciente, nossa mente também transcende a forma regular de observação. Isso nos prepara para mergulhar em nós mesmos de forma diferente, com menos obstáculos e barreiras para encontrarmos a real natureza de nossas almas.

Ao inspirar e expirar de forma correta – profundamente, pelas narinas – podemos melhorar nossa saúde e vitalidade. Normalmente, nossa respiração é superficial e curta, não completamos uma expiração completa. Como resultado, sempre mantemos uma quantidade pequena de ar nos pulmões. Isso pode produzir toxinas em nossos órgãos internos e bloquear a passagem de energia nas nadis.

Se prestar atenção a uma pessoa com alto nível de estresse ou desequilíbrio emocional, notará uma respiração curta e disrítmica. Comparativamente, uma pessoa calma e equilibrada tem uma respiração longa e com ritmo.

Respirar de forma correta e profunda significa se relacionar profundamente com o mundo ao seu redor, sem medo, restrições ou reservas. Assim, convida e permite que a energia do universo permeie e nutra seu ser. Segurar ou restringir sua respiração fará com que segure emoções que podem afetar negativamente as funções saudáveis de todo seu corpo físico.

Sua inspiração está relacionada à forma como se permite receber coisas do universo e das outras pessoas. Sua expiração está relacionada com a forma como se dá e como se expressa ao mundo e pessoas a sua volta.

Apesar de a respiração ser uma função do corpo vegetativa, automática e inconsciente, quando a moldamos intencionalmente com pranayama, podemos trazer espaço e abertura para a mente, tranquilidade para nossas emoções e cura ao nosso corpo físico.

Curso Relacionado:
Bhakti Bliss na Bahia, com Jai Uttal, Nubia Teixeira e Daniel Paul
Local: Eco Village Piracanga 
Data: 27/12/11 a 04/01/12
Infos: nubiacoruja@gmail.com 

Nubia Teixeira começou a praticar Yoga aos 16 anos e passou os últimos 20 anos se dedicando às artes de cura, Bhakti Yoga (Yoga Devocional) e à dança clássica indiana conhecida como Odissi.


Intenção III

Por Regina Shakti

A intenção da prática de asanas (posturas do Yoga) deve ser de atenção no efeito desejado. Por exemplo, se estou fazendo o pachimotanasana (postura da pinça) e alcanço os pés com dificuldade, devo concentrar minha atenção em pensar na postura perfeita e desejar fazê-la. O desejo de conseguir sucesso na prática é a melhor das intenções. A intenção de afastar pensamentos inúteis e desnecessários também ajuda, pois a mente se fortalece quando temos a intenção de focar no que estamos fazendo, porque estamos fazendo, e onde queremos chegar.


Regina Shakti é presidente do Instituto de Yoga de São Paulo há 30 anos. Pratica Yoga desde criança e tem dedicado sua vida a aprender e ensinar vários tipos de Yoga. Vive em um retiro nas montanhas de Campos do Jordão há 12 anos, onde idealizou o Krishna Shakti Ashram, que recebe pessoas do mundo inteiro interessadas em praticar Yoga.


Intenção II

Por Anderson Allegro

A intenção de toda a prática do Yoga deve ser a de crescimento pessoal, tornar-se um ser humano melhor. Usamos as técnicas como ferramentas para alcançar esse objetivo. Os asanas (posturas do Yoga) trazem saúde e longevidade ao corpo, as respirações nos energizam, a meditação nos torna mais serenos e desenvolve a compaixão. Praticar asana para ficar em forma é uma maneira de nos aproximarmos do Yoga, mas os praticantes com um pouco mais de tempo, acabam deixando essa ideia de lado ao descobrirem que Yoga tem uma abordagem mais ampla.

Afirmar o sankalpa (resolução interior) no início é uma boa maneira de trazer a intenção para a prática. Praticar sem competir com o outro nem consigo mesmo é o resultado dessa nova visão sobre os asanas.


Anderson Allegro é professor de Yoga há mais de 20 anos e biólogo. Aprendeu Ashtanga Yoga com Baptiste Marceau, professor francês, discípulo de Pattabhi Jois e participou do Planet Yoga Teacher Training com Leeann Carey em Hermosa Beach, Califórnia. Atualmente, dirige o Aruna Yoga, onde ministra o Curso Livre para Formação de Instrutores de Power Yoga há mais de dez anos. É diretor e um dos idealizadores da Aliança do Yoga. www.arunayoga.com.br


Intenção I

Por Gerson D'Addio

A intenção na prática de asanas (posturas do Yoga) depende da compreensão de um sistema filosófico que ampara esta prática. Asanas devem ser executados sem a influência das nossas expectativas, norteados pelas sensações presentes, sem valorizar aspectos externos que possam servir como parâmetros de comparação com outrem, respeitando-se a própria integridade, sem ser violento, sendo verdadeiro ao reconhecer os limites e explorar as potencialidades. Se somente fizermos posições com o corpo, sem incorporar estes valores inerentes aos sistemas de Yoga, nossa prática não será de Yoga.

Para permear a prática com esta intenção, devemos buscar constantemente inspiração nas fontes consagradas, tais como a Gita e o Yoga Sutra. Devemos também meditar regularmente, colocando a intenção e a atenção à frente de tudo o que fazemos, porém, sempre conscientes de que alimentar desejos de resultados, apego ao que já se logrou um dia ou preocupações, dúvidas e desânimo, são todos fatores que nos desviam de um caminho de aprofundamento na prática de asanas.


Gerson D'Addio da Silva é comunicador social e educador físico formado pela USP, pratica Yoga há 19 anos e leciona há 14. Formado em Yoga pela UniFMU e Kaivalyadhama Institute de Lonavla – Índia – é mestre em ciências pela FMUSP. Coordena o curso livre de formação da Humaniversidade e é professor no Colégio Marista Arquidiocesano e em vários cursos na área.


Comunicação correta

Segundo Mahatma Gandhi "felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia". A comunicação é uma das principais formas de interagirmos com o mundo e, por isso, foi o tema escolhido para o Sadhana 2010, encontro que acontece em maio em Florianópolis, SC, para aprofundamento da filosofia do Yoga e suas vertentes.

Camila Reitz, idealizadora do projeto, fala sobre a importância e a responsabilidade da comunicação de acordo com os princípios do Yoga.

Qual a importância da comunicação clara nos dias de hoje?
Hoje e sempre a comunicação clara faz parte de todas as boas relações. A comunicação verdadeira, útil e gentil é essencial para haver harmonia entre os seres. É uma receita para o entendimento entre todas as pessoas.

Como nossa comunicação pode ser afetada pelos hábitos sociais de hoje?
Hoje existe uma imensidão de meios de comunicação: telefone, e-mail, internet, TV. A comunicação interpessoal está cada vez mais impessoal. Também existe o hábito de se falar pequenas mentiras para sair temporariamente de problemas. Mas sabemos que somente os fracos fogem dos problemas através de mentiras. Existem pessoas que falam mentiras e pessoas que falam verdades de forma agressiva, o que também não é bom. Hoje, princípios básicos de uma conduta correta estão esquecidos.

O que é e quais os riscos de uma má comunicação?
Quando a comunicação não é clara e não falamos aquilo que sentimos, acabamos demonstrando através de atos aquilo que queremos. Dessa forma, a outra pessoa percebe que há algo errado, mas não sabe o que, e também não tem como resolver a situação. A falta de uma comunicação clara acarreta, além de mal-estar, a impossibilidade de compreensão e harmonia.

Quais os princípios do Yoga que podem ajudar a nos comunicamos?
Satyam pryam hitam, estes são os princípios básicos para uma boa comunicação. Falar aquilo que é satyam (verdadeiro), pryam (de forma agradável) e hitam (somente se for útil).

Como esses princípios nos ajudam?
Primeiramente, nos lembram de falar somente aquilo que é verdade, mas a verdade por si só não é útil, e dependendo de como esta verdade for falada, pode causar danos muito grandes, pode ofender ou agredir e não ter um bom resultado. Então, a verdade deve ser falada de forma agradável, de forma que a outra pessoa possa ouvir e compreender. Também é extremamente importante que esta verdade seja útil, para isso, observe qual o objetivo por trás da verdade que se quer falar. Desse modo, temos uma comunicação clara, verdadeira, agradável, útil e amorosa.

Camila Reitz é idealizadora do Sadhana – encontro para o crescimento e bem-estar, fundou e dirigiu por 12 anos o Yogashala (www.yogashala.com.br), tradicional centro de Yoga em Florianópolis. Seu objetivo como professora é fazer com que os praticantes se apaixonem pela prática e, através dela, tornem-se livres para viver seu potencial.

Para mais informações sobre o evento, que acontecerá de 21 a 23 de maio, clique aqui.


15 dicas importantes para estabelecer seu sankalpa

Por Pedro Kupfer
Matéria publicada no site www.yoga.pro.br


A palavra sankalpa significa "construção mental", mas pode traduzir-se corretamente como "resolução interior". O sankalpa é uma fôrmula breve, clara e carregada de significado, que tem como objetivo principal potencializar os aspectos mais positivos da personalidade.


Deve manter-se o mesmo sankalpa de dez a quinze vezes seguidas, durante a prática de meditação ou relaxamento, e deve ser repetida pelo menos três vezes ao iniciar e três ao finalizar a prática.


Devem ser poucas palavras, e sempre as mesmas, para fixá-las no pensamento: uma frase curta, do gênero "tudo está perfeitamente bem agora" ou "me aceito exatamente como sou".


A resolução interior deve ser sempre afirmativa. Por exemplo, é infinitamente melhor repetir mentalmente "estou saudável" ao invés de "não estou doente".


1. focalize a força de vontade.
2. separe o essencial do supérfluo.
3. trabalhe nos níveis inconsciente, subconsciente e consciente.
4. repita seu sankalpa em estado de relaxamento profundo.
5. lembre que, quem cria sua realidade, é você mesmo.
6. evite quaiquer conflitos com suas afirmações interiores.
7. busque a causa mais profunda ao construir sua resolução interior.
8. o sankalpa deve ser curto, claro e simples.
9. faça sempre afirmações positivas.
10. conjugue sua resolução nos três tempos (passado, presente, futuro)
11. conjugue sua resolução nas três pessoas do singular (eu, tu, ele).
12. escreva sua resolução e cole na porta da geladeira, no espelho do banheiro e perto do computador.
13. associe uma visualização a seu sankalpa.
14. nunca tente reprimir emoções negativas que possam surgir.
15. tenha cuidado com o que você pede, pois você pode conseguir!


Curso com Pedro Kupfer


Yoga Ayurveda e Liberdade

Márcia De Luca e Pedro Kupfer

Data: 29 e 30 de outubro
Horário: sábado das 9h às 17h domingo das 9h às 13h
Local: Yoga Flow CIYMAM (São Paulo-SP)
Infos AQUI



Pedro Kupfer é professor de Yoga, mora em Mariscal - SC e é editor do site http://www.yoga.pro.br/inicial.php.


quinta-feira, 18 de março de 2010

Insônia Segundo o Ayurveda

Por Dra. Maria de Fátima Martinhão

Segundo o Ayurveda, a insônia é um sintoma característico de distúrbio nervoso vata, a qual normalmente vem acompanhada de nervosismo, ansiedade, hipersensibilidade, excesso de pensamentos e preocupações. Esse distúrbio do sono compreende três padrões:

- Dificuldade para iniciar o sono.
- Sono superficial ou leve.
- Dificuldade para voltar a dormir ao acordar no meio da noite.

Origem
As causas da insônia estão relacionadas com desequilíbrios nos três doshas (biótipos do Ayurveda):

- Desequilíbrio em vata dosha está relacionado com: estresse, excesso de pensamentos, ingestão de drogas ou estimulantes, excesso de viagens, ansiedade, excesso de trabalho, dieta muito leve com alimentos leves, secos e frios e excesso de estímulos sensoriais.
- Desequilíbrio em pitta dosha está relacionado com: emoções mal resolvidas, desejos descontrolados, consumo excessivo de alimentos quentes e estimulantes e exposição ao calor e ao sol.
- Desequilíbrio em kapha dosha: esse dosha tende mais ao excesso de sono; a insônia pode ocorrer como um distúrbio congestivo que bloqueia os canais mentais.

Consequências
Com o passar do tempo, o insone crônico começa a apresentar sinais e sintomas de degeneração física e nervosa. Esses sintomas diferem de acordo com o dosha, tanto da pessoa (prakrutti) quanto do distúrbio (vikrutti):

- O tipo vata apresentará mais nervosismo, medo, lapsos de memória, ansiedade, emagrecimento e envelhecimento precoce da pele.
- O tipo pitta apresentará mais irritabilidade, ciúmes, raiva e ressentimento.
- O tipo kapha apresentará bloqueios mentais.

Soluções
O tratamento ayurvédico considera sempre o indivíduo em sua integridade física, psíquica, social e espiritual. Desta forma, de acordo com cada desequilíbrio predominante, serão prescritos:

- Ervas.
- Asanas (posturas do Yoga).
- Dieta mais pesada que ajude a assentar com raízes de vegetais, grãos integrais e evitar alimentos muito estimulantes.
- Meditação tranquila antes de dormir para liberar conscientemente as tensões e preocupações. É recomendada a prática de entrega da mente ao divino em completa fé.
- Pranayamas que esfriem o cérebro e diminuam a acidez do organismo como o sitali e o chandra pranayama.
- Prática de mantras de acordo com cada dosha.

Dra. Maria Fátima Martinhão é formada em medicina com residência médica em clínica e patologia clínica. Estuda fitoterapia há 15 anos e Ayurveda há 5. Seus estudos de medicina ayurvédica começaram com o Dr. José Ruguê, seguidos de cursos na Gujarat Ayurveda Universety, especialização em panchakarma em Kerala e aulas particulares com o dr. Vasant Lad.