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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Nutrologia

Por Mariana Mesquita

Nutrologia é a especialidade médica clínica que se dedica ao diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças do comportamento alimentar. Para o Ayurveda, alimento é tudo que nutre, é a forma terapêutica mais importante.

Ritual da Alimentação Saudável
Não se alimente quando não estiver com fome.

Não se alimente quando estiver com raiva, irritado, chateado, triste ou alegre demais.

Não comer logo após o exercício físico, esperar 30 minutos pelo menos.

Antes da refeição, devemos estimular o agni (fogo digestivo, saiba mais AQUI) com chá de gengibre e ervas digestivas (erva-doce ou canela em pau) ou até mastigar um pedaço de gengibre.

Deitar-se sobre lado esquerdo por alguns minutos após as refeições.

Escolher a companhia com quem se alimenta.

Escolha o alimento de acordo com a sua constituição (vata, pitta, kapha, saiba mais AQUI), capacidade do seu agni e propriedade nutritiva do alimento de acordo com seu hábito.

Mastigue bastante.

Coma menos comidas pesadas.

Tomar um lassí (bebida de iogurte típica indiana) no final da refeição.

Evitar exercícios, sexo, dormir ou estudar nas duas horas que seguem a refeição.
Evitar comer após as 20h.

Ao final, agradeça a refeição limpe a boca, e molhe os olhos, rosto, poderá fazer uma leve caminhada de cinco minutos.

Receitinha de lassí
Ingredientes
1 copo de iogurte natural (use caseiro)
2 colheres de chá de mel
2 vagens de cardamomo
2 colheres de sopa de água de rosas.

Bata todos os ingredientes no liquidificador e bom apetite!

Mariana Mesquita é terapeuta ayurvédica, praticante de Yoga e proprietária do restaurante Maha Mantra Culinária Saudável 




sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Queijo fresco em casa!

Por Mariana Mesquita

Essa receita você pode fazer em 15 minutinhos e ter seu queijo fresquinho feito por você mesmo.

Ingredientes:
3 litros de leite da fazenda tipo A.
3 iogurtes de consistência firme.
2 ou 3 limões (depende da quantidade de caldo).
Sal a gosto.

Modo de fazer:
Coloque os 3 litros de leite numa panela grande.

Espere até que levante a fervura, assim que subir o leite, desligue o fogo.

Em seguida, acrescente o limão pouco a pouco e vá mexendo até que você perceba que coalhou o leite, ou seja, que a parte branca se separou do soro do leite.

Agora é só adicionar o iogurte e uma colher de chá de sal e mexer novamente.

Aguarde cerca de 3 minutos e despeje o conteúdo em uma peneira. PRONTO! Você já tem seu queijo fresquinho.

Uma dica: aproveite o soro que se escorreu do queijo e faça seu arroz integral nele, fica uma delícia.

Mariana Mesquita é terapêuta ayurvedica, praticante de Yoga e proprietária do restaurante Maha Mantra Culinária Saudável www.mahamantra.com.br


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Salada de frutas de Dieulivol com Lavanda


Por Marise Berg
(223 kcal, 320 g de frutas)

As frutas são responsáveis pelo fornecimento de vitaminas, minerais e fibras. O consumo insuficiente de frutas e hortaliças aumenta o risco de doenças crônicas não transmissíveis. O Guia alimentar para a população brasileira (MS) recomenda que a ingestão diária de frutas, legumes e verduras seja de aproximadamente 400g.

Ingredientes: 
Maçã Fuji – 1 unidade M, 150 g
Pera – 1 unidade M, 110 g
Pêssego – 1 unidade M, 60 g (Ameixa, Abacaxi doce, Figo, Goiaba, Pêssego)
Lavanda seca – 1 colher de sopa de sementes
Extrato de baunilha – 1 colher de chá
Ghee – 1 colher de chá
Preparo:
Forrar uma travessa com um fundo de papel laminado. Cortar as frutas em pedaços médios (2 cm). Adicionar o ghee (espalhando-o para que se misture nas frutas) e polvilhar as sementes de lavanda. Fechar o laminado e assar no forno de 15 a 20 minutos (aprox. 230 graus). Servir morno.

Marise Berg é terapeuta Ayurvédica e culinarista na clínica Cítara Saúde. É também editora do site www.ayurvedicamente.com.br onde dá dicas de alimentação, saúde e Ayurveda.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mais sobre o suco da saúde


Por Silvia Andreoni
O suco verde é altamente energético e pode substituir um café da manhã tradicional, pois contém todos os nutrientes encontrados no mesmo.
Ajuda a controlar o estresse, regula as funções intestinais, fortalece o sistema imunológico, anti-inflamatório, antioxidante, é rico em enzimas ativas e agentes alcalinizantes.
Ele limpa, nutre e reestrutura o sangue e assim acelera o processo de desintoxicação do organismo, auxilia no controle do colesterol, diabetes e obesidade.
Receita e modo de preparo
Para uma ou até duas pessoas
Ingredientes
1 chuchu grande
2 maçãs
1 cenoura
1 inhame pequeno
4 folhas de couve
1 maço de hortelã
1 pedaço de gengibre
Modo de preparo
Coloque no liquidificador o chuchu e as maçãs picadas e triture bem. Se precisar, use a cenoura, com cautela, para empurrar os ingredientes e ajudar a triturar. Quando tiver a consistência de um purê, passe o conteúdo pela "panela furada "que é um coador fino feito de voal, obtendo assim a água estruturada.
Voltar essa água para o liquidificador e, aos poucos, adicione os outros ingredientes já picados e repita o processo de coar na panela furada.
Estará pronto para consumo o seu suco verde!
Ingredientes alternativos
A água estruturada deve sempre ser feita a partir da maçã, mas o chuchu pode ser substituído por pepino ou abobrinha.
As raízes podem ser a batata doce, batata yakon ou o inhame. Pode também utilizar a abóbora japonesa, beterraba e cenoura.
As folhas verdes  podem ser couve, acelga, alface, agrião, chicória, almeirão, folha de beterraba e folhas de cenoura.
As hortaliças para tempero podem ser hortelã, erva-doce, capim-santo, erva cidreira, salsinha, manjericão, salsão e gengibre.
Os grãos germinados podem ser trigo, girassol, aveia, gergelim, linhaça, quinoa, painço, alpiste, além das nozes e amêndoas.
Benefícios do grão germinado
Quando o grão é germinado, podemos dizer que uma quantidade enorme de energia se acumula ali. O conteúdo de vitaminas e minerais é potencializado.
Há produção de enzimas digestivas importantes, proporcionando uma "economia de energia" para a digestão, que estará disponível para uso em nossas atividades diárias.
(11) 4323-8486
(11) 4324-8486
(11) 8704-6484



terça-feira, 19 de julho de 2011

Vegetariano desde cedo



Por Mariana Mesquita

Meu filho é vegetariano desde a gestação, e sempre me perguntaram como eu fazia para “complementar” a alimentação dele.

Confesso que acho essa pergunta um tanto equivocada, já que nenhum alimento é insubstituível e muito menos exclusivo em relação à sua composição nutricional.

Na era das fast foods infantis e papinhas prontas vendidas em qualquer esquina, eu me organizo diariamente para preparar com amor e carinho a refeição do meu filho, dou preferência aos alimentos orgânicos, sazonais, frutas, legumes, verduras, cereais integrais, leguminosas, oleaginosas. Com uma alimentação fresquinha e completa, por que haveria de faltar algum nutriente?

E aí vem aquele monte de pergunta: "o que ele come de proteína, B12, ferro?". Adoro responder que a “mãe Terra” nos dá tudo isso nos alimentos que eu já descrevi acima.

Não sou aquela mãe que vai ao pediatra perguntar o que deve fazer para que o filho coma brócolis, cenoura, beterraba, frutas; eu não tenho essas dificuldades e, sabe de uma coisa? Ele tem um apetite de leão, e quem é vegetariano sabe que dificilmente nos sentimos pesados após a refeição. Já quando se come carne, o organismo leva 72 horas para digerir e aí é claro que a criança não tem fome, ela está usando toda sua energia para assimilar a comida ingerida.
 
Falo da minha experiência para que as mães que são vegetarianas acreditem, não tenham medo ou insegurança na hora de decidir se seu filho poderá seguir a sua opção e também ser vegetariano. Já fiz exame de sangue para ver se ele estava saudável e foi impressionante o resultado: B12, ferro, zinco, tudo na medida certa. O colesterol ruim e a glicose estavam bem baixos, já o HDL estava lá em cima, confirmando a minha teoria e me enchendo de satisfação por estar criando meu filho extremamente saudável. ACREDITEM!

Veja várias receitas vegetarianas para seu pequeno AQUI.

Mariana Mesquita é terapêuta ayurvedica, praticante de Yoga e proprietária do restaurante Maha Mantra Culinária Saudável www.mahamantra.com.br 


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Receita para Saúde no Inverno

Por Mariana Mesquita

Com a temperatura mais baixa e o clima mais seco, o cuidado para equilibrar o corpo e mantê-lo aquecido e nutrido deve ser redobrado.

Sabemos que todos os doshas (biótipos do Ayurveda, leia mais AQUI) estão presentes em nosso corpo em proporções diferentes. Vata, formado por ar e éter, considerado o mais frio e seco dos doshas e por isso é associado ao inverno.
Selecionamos uma receita nutritiva, deliciosa, rápida e fácil que vai ajudá-los a aquecer essas noites tão frias:


Creme Vermelho
Ingredientes:
6 batatas-doces médias
2 cenouras
1 beterraba
1 maço pequeno de brócolis ninja
1 colher de aveia
4 nozes macadâmias
1 colher de chá de açafrão da terra
1 colher de café de pimenta do reino
1 colher de chá de gengibre ralado
1 pitada de noz-moscada
Sal a gosto

Modo de preparo:

Aqueça 1 litro de água até a fervura, em seguida adicione as batatas-doces, a cenoura, a beterraba e os brócolis, espere até que a cenoura esteja levemente amolecida, o que leva em torno de 3 a 5 minutos, só assim adicione a aveia, as nozes macadâmias, o açafrão da terra, a pimenta do reino, o gengibre ralado (procure ralar o gengibre na menor parte do ralador), a noz-moscada e o sal.

Aguarde mais um minuto, misturando os ingredientes.

Desligue o fogo.


Retire o excesso de água e bata com o mixer até chegar à consistência de um creme.


Você ainda pode decorá-lo com salsinha bem picadinha por cima, fica lindo!


Nunca se esqueça de lavar bem os alimentos e procure usar ingredientes orgânicos.


Bom apetite


Fonte:
Restaurante Maha Mantra Culinária Saudável, para mais informações, acesse o site www.mahamantra.com.br


Mariana Mesquita é terapêuta ayurvedica, praticante de Yoga e proprietária do restaurante Maha Mantra Culinária Saudável www.mahamantra.com.br





quarta-feira, 15 de junho de 2011

Saúde no Inverno

Por Mariana Mesquita

Com a temperatura mais baixa e o clima mais seco, o cuidado para equilibrar o corpo e mantê-lo aquecido e nutrido deve ser redobrado.

Sabemos que todos os doshas (biótipos to Ayurveda, saiba mais AQUI) estão presentes em nosso corpo em proporções diferentes. Vata (saiba mais AQUI) é formado pelos elementos ar e éter, considerado o mais frio e seco dos doshas e por isso é associado ao inverno.

É comum percebermos o aumento desse dosha no nosso corpo e mente pela pele mais seca, as articulações mais rígidas, a mente agitada e ansiosa.

O Ayurveda nos ajuda a equilibrar esses sintomas com a alimentação e algumas mudanças comportamentais, tais como:

Dê preferência a alimentos cozidos, aumentando o consumo de sabores doce, ácido e salgado (batata-doce, tâmaras, berinjela, mandioca), além das oleaginosas (amêndoas, nozes, macadâmia) e não se esquecendo das maravilhosas especiarias como o açafrão da terra, gengibre, noz-moscada, pimenta do reino, cravo e canela.

O Yoga e a meditação são práticas extremamente benéficas para equilibrar o organismo, através das posturas específicas para vata, os pranayamas (exercícios respiratórios) que aquecem o organismo, yoganidra (técnica de relaxamento profundo) que relaxa mente e corpo, uma verdadeira união entre alma individual e a consciência suprema, o mais eficaz e poderoso meio para a autorrealização.

A meditação também tranquiliza, aquieta, nos faz perceber nosso mundo interior. É por meio dela que podemos nos conhecer melhor, escutarmos a nós mesmos, é o caminho para um dia a dia mais claro, transparente, o momento do nosso dia em que estamos em contato com nós mesmos.

Portanto, para pacificar vata é necessário nutrir, aquecer, acalmar e também lubrificar.

A automassagem e outras técnicas utilizadas pelo Ayurveda para lubrificar o corpo também são eficazes. Podemos usar óleos como ghee (manteiga clarificada), gergelim, amêndoas doces, semente de uva, aplicando e massageando as articulações, os órgãos do abdômen, pernas, pés, enfim, onde desejar.

Uma rotina saudável, incluindo uma alimentação mais nutritiva associada à prática de Yoga e meditação, certamente fará dessa estação do ano um convite para a introspecção e satisfação que o inverno vem nos proporcionar.

Mariana Mesquita é terapêuta ayurvedica, praticante de Yoga e proprietária do restaurante Maha Mantra Culinária Saudável www.mahamantra.com.br



quinta-feira, 5 de maio de 2011

A importância do vegetarianismo para a prática de Yoga

Por Marly Winckler

A palavra Yoga vem do sânscrito yuj, que significa união. Segundo a filosofia hindu, a alma humana, ou Jivatma, é uma faceta ou expressão parcial da superalma, ou Paramatma, a Realidade Divina, fonte do universo manifestado. Embora, em essência, os dois sejam o mesmo e indivisíveis, ainda assim, Jivatma tornou-se subjetivamente separado de Paramatma e está destinado, depois de atravessar um ciclo evolutivo no universo manifestado, a unir-se outra vez com Ele, em consciência. Este estado de unificação dos dois, bem como o processo mental e a disciplina por intermédio da qual esta união é atingida, são ambos chamados de Yoga1.

Patanjali foi o grande compilador da tradição milenar da Yoga – e o fez de maneira magistral. O sistema delineado por Patanjali constitui-se de oito partes, denominado Ashtanga Yoga. O sistema contempla oito angas ou membros, concebidos como estágios que se sucedem numa sequência natural. São eles: yama, niyama, asana, pranayama, pratyahara, dharana, dhyana, samadhi.

Construção do caráter

Os dois primeiros angas do Yoga, yamas e niyamas destinam-se a prover uma base moral adequada para o desenvolvimento do Yoga. Para os propósitos desse artigo ficaremos apenas com yamas, o primeiro aspecto.

Yamas são os votos de autorrestrição ou abstenções e compreendem cinco partes: ahimsa (abstenção da violência), satya (verdade), asteya (abstenção de roubar) brahmacharya (abstinência sexual), aparigraha (abstenção da cobiça). Para os propósitos desse artigo, nos concentraremos tão somente no primeiro tópico de Yama, ahimsa.

Ahimsa é a abstenção de todo e qualquer tipo de violência. Não significa apenas não matar, mas não infligir voluntariamente qualquer dano, sofrimento ou dor a qualquer ser vivo, por palavras, pensamentos ou ações. Significa o mais alto grau de inofensividade.

Ahimsa é parte da preparação preliminar para a prática do Yoga, base para a construção do edifício de muitos andares que é. Sem esta base moral não é possível avançar muito no Yoga integral, ficando o praticante restrito a posturas físicas (asanas) e respiração (pranayama), e não dispondo, portanto, dos elementos indispensáveis para o Yoga superior constituído pelos estágios mais avançados: pratyahara, dharana, dhyana e samadhi. Tão somente a prática das posturas já traz benefícios, mas Yoga é bem mais do que isso.

Não causar violência ou dano a nenhum ser vivo é parte integral de ahimsa. Alimentar-se de uma forma que não cause violência ou dano a nenhum ser vivo é um de seus requisitos. O vegetarianismo, não por acaso, está indissoluvelmente ligado à prática do Yoga e, não por acaso, a Índia, berço do Yoga, é também um país tradicionalmente vegetariano. Isso desde tempos imemoriais, quando as condições com que os animais eram tratados e abatidos não chegavam nem perto das barbaridades e crueldades com que hoje isso acontece.

Tipos de alimentos

Segundo a tradição hindu, a construção do corpo físico resulta do alimento e da bebida que ingerimos e, naturalmente, a qualidade de seus elementos constituintes depende, em grande medida, da qualidade deste alimento. O conhecimento da natureza das diferentes espécies de alimentos e a experiência possibilitaram aos estudiosos indianos classificá-los em diferentes categorias. A classificação mais familiar é a divisão em três grupos: tamásico, rajásico e sátvico. Alimentos tamásicos são aqueles que estimulam a inércia, rajásicos os que produzem atividade, e sátvicos os que produzem harmonia e ritmo. É no último grupo que o praticante de Yoga tem de basear, tanto quanto possível, a sua alimentação2. A carne está classificada no primeiro grupo.

Os grãos de onde sairão novas plantas e que estão cheios das substâncias mais nutritivas, os frutos, todos os produtos cujo próximo desenvolvimento, no decurso do ciclo vital, é o crescimento, são alimentos rítmicos, saturados de vida, próprios para constituírem um corpo ao mesmo tempo sensível e vigoroso, mais apropriado ao praticante de Yoga3.

Impactos da alimentação centrada na carne

A alimentação centrada na carne além de impor enormes sofrimentos aos animais também gera fortes impactos para o meio ambiente. Por outro lado, a saúde humana se beneficia muito com a alimentação vegetariana. Um bom praticante de Yoga deve gozar de boa saúde, pois, como diz Rohit Mehta, com um corpo enfermo e uma mente doentia não é possível avançar na senda do Yoga4.

Saúde

Várias organizações internacionais de renome como a American Heart Association (AHA), a Food and Drug Administration (FDA), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a Kids Health (Nemours Foundation), o College of Family and Consumer Sciences (University of Georgia) e a Associação Dietética Americana têm parecer favorável ao vegetarianismo, esta última afirmando inclusive que os profissionais da área da nutrição têm o dever de incentivar aqueles que expressam intenção de se tornarem vegetarianos.

O vegetariano tem risco reduzido de doenças crônicas e degenerativas, como cardiopatias, câncer, diabetes, obesidade, osteoporose, doenças da vesícula biliar e hipertensão. O vegetariano tem 31% a menos de cardiopatias, 50% a menos de diabetes, vários cânceres a menos, sendo 88% a menos de câncer de intestino grosso e 54% a menos de câncer de próstata, só para citar alguns5.

Meio ambiente

O impacto ambiental causado pela criação de quantidades exorbitantes de animais para suprir (e estimular) a demanda por carne é colossal. Só no Brasil são criados anualmente cerca de 200 milhões de bovinos e cerca de um bilhão de frangos, galinhas, suínos etc.6

De acordo com a FAO, a pecuária está entre as três principais causas de qualquer problema ambiental significativo, incluindo a degradação da terra, mudanças climáticas e poluição do ar, escassez e contaminação de água e perda de biodiversidade.

O consumo de carne bovina é a principal causa das queimadas, do desmatamento, do assoreamento dos rios e da perda de biodiversidade, do uso e da contaminação das águas, entre outras mazelas ambientais, como a geração de quantidades exorbitantes de dejetos animais. O consumo de outras carnes (frango, porco, peixe etc.) e produtos de origem animal (laticínios e ovos) igualmente gera enormes impactos.

Alguns fatos

Desmatamento

A indústria da carne é a principal responsável pela derrubada das florestas (80% da destruição da Amazônia deve-se à pecuária e à soja, para virar ração para animais). A criação de gado é responsável pelo desmatamento de 93% da Mata Atlântica, 80% da caatinga, 50% do cerrado e 18% da Amazônia7.

Aquecimento global

No relatório A grande sombra da pecuária, a FAO afirma que os gases emitidos pelos excrementos e flatulências, pelo desmatamento para abrir pastagens, somados à geração de energia gasta no manejo do gado respondem por 18% dos gases-estufa emitidos anualmente no mundo. Segundo este relatório, a pecuária agrava mais o efeito estufa do que o setor de transportes, responsável por 13% das emissões8.

Uso e contaminação da água

A indústria da carne é responsável por mais da metade da água consumida para todos os fins. São necessários cerca de 15 mil litros de água para gerar um quilograma de carne bovina, ao passo que são necessários apenas 195 litros para se obter 1 quilograma de feijão, 42 litros para se obter 1 quilograma de batata etc.

Cada quilograma de carne gerado em sistema de confinamento deixa para trás 7 a 9 litros de excrementos, que não têm como ser absorvidos pela terra. Esses resíduos vão diretamente para córregos, poços e lençóis freáticos.

Oceanos

A pesca industrial é extremamente predatória. Os oceanos estão entrando em colapso rapidamente. Até 2006, 29% das espécies de peixes e frutos do mar já haviam entrado em colapso. O camarão rende apenas 2% do montante global pescado anualmente, mas responde por 35% do desperdício total. O “descarte” está hoje avaliado em 27 milhões de toneladas anuais, de peixes e outros organismos marinhos considerados “do tipo ou tamanho errado”9.

A maior parte dos peixes e outras criaturas marinhas capturadas anualmente não é consumida diretamente pelos seres humanos, mas dados como ração aos animais. São necessários 45 quilogramas de peixes selvagens para criar um quilograma de salmão criado em cativeiro10.

Insustentabilidade e ineficiência

Metade de toda a terra boa do mundo é destinada a pastagens. Metade da colheita mundial de grãos é consumida pelo gado no mundo todo. Criar gado é uma forma muito ineficiente de utilização dos recursos. São necessários em média 7 a 9 quilogramas de cereais e grãos para produzir um quilograma de carne de boi. A relação para carne de porco e frango é de 3,5 e 1,7 quilogramas, respectivamente.

Num mundo onde a fome é uma realidade, comer carne é eticamente inaceitável.

Impactos sociais

Além da pegada ecológica, os problemas sociais gerados pela indústria da carne são também muito graves. A maior parte das denúncias sobre mão de obra escrava realizadas no Ministério do Trabalho no Brasil vem da pecuária. Outro grande problema é o abate clandestino, responsável por aproximadamente 50% do mercado nacional, onde o trabalho infantil também é recorrente.

As condições de trabalho nos frigoríficos são degradantes e geram problemas físicos e psicológicos nos trabalhadores. Acidentes são corriqueiros. Nos frigoríficos os processos produtivos são agressivos. Ou o calor é excessivo, acima de 40 graus, chegando a 95 graus em vários pontos, ou muito frio, abaixo de doze, atingindo até 35 negativos nas câmaras frias. O barulho é ensurdecedor e os protetores auriculares reduzem pouco o nível de ruído.

A umidade está em todo lugar, proveniente dos vapores ou das mangueiras que incessantemente são acionadas para limpar o sangue do chão. O odor é desagradável, chegando a níveis insuportáveis em alguns setores como da triparia e bucharia. O ritmo da produção é alucinante, ditado pela velocidade das roldanas com ganchos que carregam nos trilhos os pedaços do animal, que vai sendo dissecado a cada seção11.

Crueldade com os animais

Inúmeras crueldades são cometidas na criação de animais ditos “de consumo”, ou seja, abatidos para virar comida. O sofrimento inerente ao abate não é o único aspecto a considerar. Imagens idílicas de fazendas onde os animais vivem felizes e contentes, junto à sua prole, povoam nosso imaginário, mas o agronegócio está tornando isso coisa do passado. A tendência hoje é criá-los em granjas industriais, onde vivem confinados e submetidos a tratamento cruel. Praticamente 100% dos porcos e frangos são criados hoje em regime de confinamento, e o gado e o peixe caminham para isso.

Os filhotes são separados da mãe assim que nascem e criados em condições abomináveis, totalmente artificiais, gerando muito estresse e doenças, combatidos com medidas ainda mais execráveis: corte do bico, do rabo, dos dentes e da genitália, tudo sem anestesia. Só saem dessa situação penosa para o abate. Ali, eles são depenados, esfolados, escaldados e esquartejados, na maior parte das vezes, ainda vivos.

Nunca na história da humanidade animais foram tão desrespeitados e maltratados como acontece agora em pleno século XXI nas granjas industriais. Como afirma Peter Singer Os animais são tratados como máquinas que convertem forragem de baixo preço em carne de preço elevado, e qualquer inovação será utilizada se resultar em uma ‘taxa de conversão’ mais baixa12”.

De acordo com a FAO, mais de 52 bilhões de animais são mortos para comida por ano no mundo.

Comer carne e outros produtos de origem animal é um hábito bastante arraigado, sobretudo nas sociedades ocidentais. Muitos praticantes de Yoga no ocidente acreditam que precisam comer carne para ter a força exigida na prática das posturas. K. Pattabhi Jois, o criador do estilo de Yoga que mais exige aptidão física, o Ashtanga Vinyasa Yoga, afirmou claramente que a dieta vegetariana é uma exigência para a sua prática. O mesmo fez seu filho, Manju Jois, em recente visita ao Brasil. Pattabhi Jois inicialmente relutava em ensinar Yoga a ocidentais porque comiam carne. Somente abriu as portas para alunos ocidentais quando percebeu que estes poderiam se tornar vegetarianos, mesmo não tendo nascido vegetarianos13.

A humanidade clama por paz, mas a paz não será possível enquanto ela se associar todos os dias aos atos sangrentos e cruéis indissoluvelmente ligados à criação e ao abate de milhares e milhares de seres indefesos que, como nós, também sentem dor e terror.

Toda a crueldade e os demais impactos associados à carne e outros produtos animais não é compatível com o primeiro preceito do Yoga: ahimsa. A alimentação vegetariana é parte fundamental e integral de um mundo sem violência, saudável, sustentável e que respeita todas as formas de vida. É a dieta do praticante de Yoga.

Marly Winckler Coordenadora para a América Latina e Caribe da União Vegetariana Internacional, com sede na Inglaterra (www.ivu.org) e Presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (veja o site AQUI)

Notas

1. Taimni, I.K. A Ciência do Yoga. Editora Teosófica, 1996, p. 20.

2. Taimni, I.K. Self-Culture in the light of Ocultism. TPH: Madras, Índia, 1976, p. 56.

3. Annie Besant. Introdução ao Yoga, Círculo do Livro, p. 160
4. Rohit Mehta. Yoga a arte da integração. Editora Teosófica, 1995, p. 106

5. Posição da Associação Dietética Americana (ADA) sobre dietas vegetarianas. http://goo.gl/CacpD

6. IBGE, 2010.

7. João Meirelles Filho. Você já comeu a Amazônia hoje? http://goo.gl/twmKK

8. Livestock's long shadow: environmental issues and options, FAO, 2006. http://goo.gl/MQIXE

9. Paul Watson. Consider the Fishes, VegNews, março-abril, 2003:27

10. Impactos sobre o Meio Ambiente do Uso de Animais para Alimentação. SVB, 2007 p. 12. http://goo.gl/gn7Ty

11. Frigorífico deve adequar condições de trabalho. Repórter Brasil. http://goo.gl/G5n6w

12. Singer, Peter. Libertação Animal, Editora Lugano, Porto Alegre, 1990. p. 110.

13. Sharon Gannon. Yoga and Vegetarianism, p.26.

Mais sobre:

Yamas e Niyamas



quinta-feira, 31 de março de 2011

Receita: barrinhas de cereais

Receita retirada do livro A Cozinha Vegetariana de Astrid Pfeifer

Ingredientes

2 colheres (sopa) rasas de linhaça dourada (20 g)

5 colheres (sopa) de nozes (62 g)

5 ameixas-pretas sem caroço (46 g)

9 damascos secos (82 g)

1 banana media (98 g)

1/2 xícara (chá) de quinoa em flocos (44 g)

1/2 xícara (chá) de aveia em flocos (46 g)

2 colheres (sopa) de gergelim torrado (20 g)

1 colher (sopa) rasa de óleo (8 g)

4 colheres (sopa) de agave (64 g)


Modo de Preparo

1 Cubra a linhaça com água e deixe de molho por apenas 15 minutos.

2 Pique as nozes, as ameixas e os damascos em pedaços pequenos e coloque

em uma panela.

3 Amasse a banana com um garfo e coloque-a na mesma panela, junto

com os demais ingredientes.

4 Mexa tudo e leve ao fogo por 5 minutos, apenas para dar liga.

5 Coloque a massa em uma forma untada com óleo. Alise-a com as costas

de uma colher, pressionando levemente para que fique firme.

6 Com a ponta de uma faca risque a superfície da massa, demarcando o

tamanho das barrinhas.

7 Leve ao forno médio (180°C), preaquecido, e asse por cerca de 30 minutos ou até estar dourada.

Tire do forno para não ressecar e deixe esfriar. Corte as barrinhas

seguindo as marcas feitas.


Rendimento: 15 barrinhas pequenas.


Sugestões:

Ao substituir o agave pelo melado, as barrinhas ficarão mais escuras.

Você pode substituir as oleaginosas ou as frutas secas por outras.

Para eliminar o glúten da receita, retire a aveia e aumente a quantidade

de quinoa.


Esta receita é rica em: proteína; ômega-6;

ômega-3; fibra; cálcio; ferro; magnésio;

fósforo; potássio; manganês; selênio; betacaroteno.




A dra. Astrid Pfeiffer nasceu em São Bento do Sul, em Santa Catarina. É nutricionista e pós-graduanda em nutrição clínica funcional. Especialista em dietas vegetarianas, terapeuta aiurvédica pela Escola Yoga Brahma Vidya e Internacional Academy of Ayurveda e especialista em nutrição aiurvédica pela International Academy of Ayurveda, ambas da Índia, trabalhou durante sete anos no Lapinha Spa, na cidade de Lapa, no Paraná. Atualmente, atende em sua clínica particular, em São Paulo, e ministra cursos e palestras sobre culinária vegetariana.



segunda-feira, 22 de junho de 2009

Néctar de Damasco

Por Rita Taraborelli



Cobrir uma xícara de damasco turco com água potável e hidratar por quatro horas. Bater no liquidificador com quatro copos de água (ou mais) gengibre a gosto, 2 cm de fava de baunilha e se quiser mais doce: mel. Bater bem, coar e servir. Se necessário coloque mais água.

Rita começou a assar biscoitinhos com seis anos de idade, quando ganhou um fogãozinho de verdade de seus pais. Hoje ela cozinha em eventos particulares, escreve, desenha, pinta, faz Yoga e adora viajar.
www.taraborelli.blogspot.com


Receita Sopa de Milho

Por Rita Taraborelli

Serve 6 amigos. Sugestão: Servir entre pessoas queridas.

Ingredientes:
- 7 espigas de milho verde
- 1 alho poró
- 1 rama de canela
- 1 pimenta dedo de moça
- óleo
- salsinha
- salt and pepper

Preparo:
Bata os grãos de milho com água no liquidificador e coe em uma peneira grande espremendo bem a polpa, volte a polpa no processador e coloque mais grãos e mais água, repita o processo até utilizar todo o milho. Reserve a polpa para um bolo, hambúrguer ou o que imaginar.

Refogue os temperos e acrescente o caldo do milho, deixe ferver, baixe o fogo e cozinhe até engrossar bem, acerte o sal e pimenta e quando pronto acrescente a salsinha picada. Caso fique muito espessa acrescente mais água e cozinhe mexendo bem.
Atenção: escolha milhos novos, quanto mais clarinho melhor! Não esqueça a sopa no fogo e saia fazendo coisas pela casa, pois o amido do milho gosta de atenção! Tende a grudar no fundo se não for bem mexido.

Surpresa de Funghi:
Faça uma mistura de cogumelos secos: funghi porcini italiano, shitake e orelha. Hidrate em água quente por alguns minutos. Refogue-os com alho poró, pimenta dedo de moça e alho, glaceie com o próprio liquido da hidratação (que agora virou um chá de cogumelo saborosíssimo) e um pouco de shoyu "macrô"*, deixe reduzir o líquido até encorpar, acertar o sal e finalizar com cebolinha picada.

Montagem:
Coloque a sopa em uma cumbuquinha e uma colher da surpresa no meio. Os cogumelos vão afundar e te confundir na hora de comer! Dependendo da colherada o sabor se funde!

*O shoyu macrobiótico não tem glutamato, por isso recomendo! Se você não liga, “taka” qualquer outra marca no preparo que funciona igual!

Rita começou a assar biscoitinhos com seis anos de idade, quando ganhou um fogãozinho de verdade de seus pais. Hoje ela cozinha em eventos particulares, escreve, desenha, pinta, faz Yoga e adora viajar.

www.taraborelli.blogspot.com


Comida de Yogi

Escute a tua música, prepare o teu prato e de mais um monte de gente.

Por Rita Taraborelli

Você sabia que, além do teu corpo sentir, ele fala sem você falar de verdade?

A fome, por exemplo, é como ele fala que quer comer e o sono é como ele fala que ele, o corpo inteiro, quer dormir.

Quando a gente começa a meditar com frequência é possível sentir ainda mais estas sensações na vida. Não estou falando nada sobrenatural ou de outro planeta, pelo contrário são movimentos e sensações comuns que muitas vezes passam despercebidos devido à enorme oferta de estímulo externo. São sensações como: calor, frio, pressão, coceira, tremor, ardor, leve, pesado, intenso...

Mas vamos aprofundar nas sensações do corpo que come. A comida fala? Não! Isto não acontece. O corpo fala? Sim. Portanto a comida não te escolhe e sim VOCÊ escolhe tua comida. Imagine um dia de calor, com muito sol e sem sombra. Os vasos do corpo se dilatam sutilmente e tua energia tem quedas devido ao excesso de calor e aridez. Neste momento meu corpo está dizendo exatamente o que ele precisa: água e alimentos frescos com muita água. O meu, por exemplo, pede uma melancia. A melancia em si representa toda a informação contida em seus nutrientes, átomos e moléculas. Ela não tem a função única de ser devorada, antes de tudo ela é uma expressão da natureza.

Agora, imagine entrar neste campo da cozinha intuitiva, onde teu corpo te dá dicas do que ele mais precisa em cada momento ou te indica o que deve cozinhar para uma estação ou um determinado tipo de pessoas. Não é fácil, pois não existem parâmetros e muito menos regras para que isto funcione, afinal, cada indivíduo é formado por um aglomerado de informações que ele mesmo colheu durante seu percurso de vida.
Aqui nestas receitas eu compartilho com você alguns destes resultados intuitivos. São receitas simples e fáceis de fazer para servir de inspiração para você!

Rita começou a assar biscoitinhos com seis anos de idade, quando ganhou um fogãozinho de verdade de seus pais. Hoje ela cozinha em eventos particulares, escreve, desenha, pinta, faz Yoga e adora viajar.

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