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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Saúde Natural

Por Ceres Teixeira de Moura

Para a naturopatia e o Ayurveda o acúmulo de toxinas no organismo causa a grande maioria das enfermidades, entre elas a obesidade. As toxinas (ama em sânscrito) vêm de diversas fontes: alimentação errada, aditivos, agrotóxicos, água contaminada, metais pesados, ar poluído, cigarros, álcool e drogas.

Na visão do Ayurveda existem três doshas (tipos constitucionais): vata, pitta e kapha. Cada um deles tem características físicas e psíquicas específicas e dentre eles o que tem mais tendência para engordar é o kapha. No entanto, os outros doshas também podem gerar sobrepeso quando em desequilíbrio.

De uma forma geral:

Pitta tem apetite forte, com atração acentuada por doces e carnes, podendo se exceder na quantidade. Ganha peso em músculos mais facilmente e tem tendência a inflamações.

Vata tem sistema nervoso agitado, com tendência a ansiedade e crises de insegurança. Seu apetite é irregular e o peso flutuante. Pode comer muito açúcar, o que produz sensação de calma e segurança.

Kapha tem metabolismo lento, apetite contínuo, compulsão alimentar, tendência a desequilíbrios hormonais, retenção de líquido e gordura, fraqueza nos rins e pâncreas, pulso fraco e baixa energia, o que justifica claramente seu ganho de peso fácil.

Uma Solução

A medicina convencional alopática comumente prescreve drogas químicas para redução de peso, mas essas são contraindicadas na medicina natural, devido aos efeitos colaterais adversos sobre o sistema nervoso e o sistema digestivo. As drogas diminuem o fogo digestivo (agni) e prejudicam a absorção de nutrientes. Além disso, o efeito é temporário: quando suspenso o medicamento, o peso aumenta novamente.

O tratamento natural preconizado é de médio a longo prazo. Diminuir ama é a primeira meta! Para tal, são aplicadas diversas terapias de desintoxicação:

1) Dietas de redução calórica não-drásticas, visando adesão ao tratamento e evitando perda súbita de peso, que pode ser prejudicial à saúde. No entanto, em alguns casos o jejum (acompanhado por um profissional) deve ser recomendado.

2) Incluir muitas frutas e vegetais, principalmente crus e cozidos no vapor. Consumo de grãos integrais, germinados, castanhas e sementes, todos ricos em minerais, vitaminas e fibras. Chás diuréticos e sucos frescos para estimular os rins. Alimentos amargos que atuam sobre o fígado, reduzindo a gordura. Evitar farináceos, principalmente os refinados e, se possível, evitar ao máximo os produtos à base de farinha de trigo, ricos em glúten e fermento. Reduzir laticínios, preferindo pequenas quantidades de iogurte natural e ghi medicado.

3) Uso de especiarias picantes que melhoram a digestão, aceleraram o metabolismo e aumentam o agni (pimentas, gengibre, açafrão). Ervas laxativas e tônicas. Ervas para acalmar a mente (brahmi). Ervas para limpar o organismo, desintoxicar.

4) Pancha Karma, que consiste num programa de terapias avançadas do Ayurveda, específicas para purificação e recuperação geral do organismo. Dentre essas estão: vomição, enema, sudação, oleação, massagens e outras que merecem um artigo à parte.

Contato com a natureza, boa respiração, nutrição saudável e exercício físico regular são as melhores formas de prevenção. Entre as atividades aeróbicas, podemos recomendar danças, caminhadas, natação, ciclismo, esportes e musculação. Entre as atividades orientais recomendamos taichi, artes marciais e Yoga.

Ceres Moura é adepta do Yoga e vegetariana há 30 anos. Nutricionista , terapeuta ayurvédica e professora de formação de instrutores de Yoga.
http://www.lakshmi.com.br/


terça-feira, 18 de maio de 2010

O Consumidor e o Consumido

Por Dr. David Frawley
Publicado na edição 24 dos Cadernos de Yoga.
Tradução: Gustavo Cunha

O materialismo da cultura moderna não é mais evidente, em parte alguma, do que na nossa sociedade orientada para o consumidor. Na maior parte do tempo, funcionamos como consumidores, tomando produtos do mundo exterior e utilizando-os. Não somos criadores, mas espectadores e consumidores de coisas que nos são dadas do exterior.

Somos consumidores não apenas no aspecto material em relação a comida, roupas, carros e novos relacionamentos, mas também nos aspectos intelectuais e espirituais, com livros novos, cassetes e seminários. Trazemos conosco a mentalidade de consumidor onde quer que vamos. Todo o consumismo é um tipo de ingestão, no qual ingerimos algum produto do mundo exterior. Nesse processo, tornamo-nos mais materialistas, pesados, densos e dependentes.

O consumidor é o consumido. Ser um consumidor é estar envolvido num processo de destruição. O consumo ocorre como a inércia da matéria que se alimenta de si mesma. Eventualmente, nós próprios somos jogados fora como o jornal do dia anterior. No processo de consumir coisas, a nossa vida e criatividade são devoradas pelas forças comerciais e interesses mundanos. Ingerimos sensações temporárias ou ideias que nos mantêm distraídos, afastados do nosso verdadeiro Ser e das suas nobres aspirações.

Projetamos esta mentalidade orientada para o consumidor no mundo espiritual. Procuramos obter a informação espiritual certa, ir aos lugares certos e experienciar as coisas certas de modo a consumir o nosso caminho até Deus ou à iluminação. O ego é o consumidor. Consumir é a lógica do ego material para se alimentar, expandir e crescer. Ser um consumidor é o nível mais primitivo de existência. É ser uma boca, um comedor, um devorador de coisas. Não é ver, mas comer ou ser comido.

Para descobrirmos a verdade do que somos, temos que descartar a mentalidade de consumidor e reafirmar a nossa dignidade espiritual como observadores desapegados. O nosso verdadeiro ser é a consciência. É imaterial, vazia de coisas, desprovida de tudo o que é exterior. Não podemos chegar à nossa verdadeira natureza através de algum tipo de consumo, mas apenas deixando-nos ser consumidos por ela.

cadernosdeyoga.com.br
Texto extraído do livro Vedantic Meditation de David Frawley. www.vedanet.com.


A Cura pela Visão

Por Márcia De Luca


As imagens que penetram em nossos olhos atuam profundamente em nosso corpo, mente e emoções. Enquanto observamos um magnífico pôr do sol, geramos substâncias químicas que nos acalmam e nos dão prazer. Por outro lado, assistir a um filme de violência detona um dilúvio de hormônios que provocam estresse e inundam nossa circulação agitando cada célula do corpo. Escolher estímulos visuais positivos é tão importante quanto escolher alimentos nutritivos.


Assim como os sons primordiais podem ser úteis para equilibrar nossa mente e nosso corpo por meio da audição, as formas primordiais podem gerar maior coerência em nossos cérebros, provocando uma influência que equilibra e acalma. Em algumas culturas do mundo, utilizam-se belos desenhos para aquietar a mente agitada. Um desenho clássico é conhecido por Sri Yantra que simboliza as forças criativas do universo.


Podemos também melhorar nosso bem-estar e o ambiente em que vivemos e em que trabalhamos com o uso criativo da cor:


- Nuances de cores pastel e tons de terra tranquilizam o elemento Ar.
- Cores frias, claras – azuis, verdes e branco – equilibram o princípio Fogo.
- Cores brilhantes, fortes e intensas com formas e desenhos vibrantes ajudam a energizar o princípio Terra.


Experimente:
Meditação no Yantra AQUI!
Yoga para os olhos AQUI!


Curso com Márcia De Luca:


Yoga Ayurveda e Liberdade


Márcia De Luca e Pedro Kupfer

Data: 29 e 30 de outubro
Horário: sábado das 9h às 17h domingo das 9h às 13h
Local: Yoga Flow CIYMAM (São Paulo-SP)
Infos AQUI

Márcia De Luca é praticante, estudante e professora de Yoga e Ayurveda, autora de diversos livros sobre o assunto e idealizadora do projeto Yoga pela Paz e da Filosofia de Bem-Viver. http://marciadeluca.com/ 
Contatos: (11) 3168-5096 ou andrea@marciadeluca.com.br


A relação entre Yoga e Meio Ambiente

Por Tales Nunes
Publicado na edição 24 dos Cadernos de Yoga

O Yoga é muito mais do que uma prática corporal, é um estilo de vida. E, como um estilo de vida, abarca não apenas o âmbito individual, mas o coletivo. Um indivíduo, que tenha um comprometimento com uma vida de Yoga, tem influência nas pessoas ao seu redor e no ambiente em que está inserido. Vejamos então como a prática de Yoga está vinculada a uma atitude ecologicamente ética e a uma aproximação da natureza.

O Yoga propõe uma conduta ética que é balizada por valores que chamamos de yamas. Entre estes, estão a não-violência e o desapego. Existem outros valores yogis, mas a incorporação de apenas esses dois no nosso dia a dia é em si uma postura revolucionária, de transformação ambiental coletiva.

Compreender o que é desapego e incorporar esse valor nos mostra que podemos levar uma vida muito mais simples do que levamos. Ajuda-nos a ver os bens materiais de maneira mais objetiva, colocando o valor de uso acima do fetiche. E isso faz com que tenhamos a lucidez para consumirmos menos, o que significa poupar a natureza e poluir menos. Por sua vez, viver a não-violência é fundamental para que preservemos e tentemos evitar causar dano a qualquer tipo de manifestação de vida.

E como ferramenta de transformação, o Yoga nos oferece, também, uma ampla gama de práticas corporais. A partir da consciência do nosso corpo, da nossa respiração, do espaço que ocupamos no mundo, o Yoga ajuda a nos conectar com os ritmos e as forças da natureza. Além disso, por meio da meditação e do questionamento, o Yoga nos coloca numa postura de reflexão sobre qual é o nosso papel individual e social na vida. São muitos os relatos de praticantes de Yoga que mudaram completamente o seu estilo de vida, simplificando-o.

São frequentes os casos de pessoas que pararam de comer carne, outras que largaram seus trabalhos, pois descobriram que estes não faziam mais sentido em suas vidas (muitas vezes por serem trabalhos eticamente questionáveis) ou mesmo que saíram da cidade e foram morar junto à natureza. Há diversas histórias também de yogis que permaneceram nas cidades, mas engajaram-se em trabalhos sociais ou ambientais.

Em Curitiba, temos um grupo de yogis engajados na campanha a favor do uso da bicicleta e do movimento "Jardinagem Libertária", em prol de uma ocupação mais humana dos espaços públicos urbanos. Estas são pessoas que fazem a diferença e não esperam pelo poder público para realizar as mudanças que o nosso planeta pede hoje. A transformação que precisamos realizar é muito mais urgente do que a aparelhagem estatal consegue efetivar. E é justamente nesse ponto que entra o Yoga, tocando as pessoas e mobilizando-as a mudar, a fazer diferente, a fazer mais consciente.

Hoje a causa ambiental está em cena. Empresas que poluem, exploram e degradam o meio ambiente apresentam uma imagem de responsabilidade social e ambiental. Outras tantas usam esse filão para vender mais dos seus produtos. O que é um paradoxo, pois quanto mais consumimos, mais degradamos. Ou seja, está na moda ser "ecológico" e nós sabemos exatamente o que fazer, coletivamente e individualmente, para minimizar os danos que estamos causando no nosso planeta. Porém, parece haver um fosso enorme entre a teoria e a prática. Esquecemos que as grandes transformações são feitas a partir de pequenos atos cotidianos. E assim seguimos querendo mudar o mundo, com o discurso mudado, totalmente consciente, porém sem querer abrir mão de muitos dos nossos confortos.

Vejo o Yoga, nesse sentido, como um educador, um disciplinador. Um disciplinador do nosso corpo, ensinando-nos a nos alimentarmos melhor e a consumirmos alimentos de boa procedência (que agridam o mínimo o meio ambiente e que sejam saudáveis ao nosso corpo). Um disciplinador da nossa mente, refreando os nossos desejos, ensinando-nos que consumir não nos faz mais felizes, como insistem em nos inculcar as propagandas. Acredito, portanto, que o Yoga pode promover a ponte entre a teoria e a prática, justamente pela disciplina física, mental e emocional que promove.

Uma das razões do nosso planeta estar na situação de degradação atual é o nosso antropocentrismo, a nossa ideia equivocada de que podemos controlar a natureza. Julgamo-nos como uma espécie superior às demais e olhamos a natureza como "recurso", que está aí para nos servir e ser usado por nós para suprir os nossos desejos que, vale ressaltar, não são necessidades, são luxos. E, por causa disso, os espaços naturais foram reduzidos. E antes o que nos englobava, florestas, vegetação natural, foi por nós englobado, cercado, demarcado, restringido.

A nossa ciência entende e manipula aspectos isolados da natureza. O todo, a compreensão global, o encadeamento de causas e consequências mais distantes e a longo prazo, nos é, na maior parte dos casos, desconhecido, ou no máximo especulado. Compreendendo isso, Goethe disse: "A natureza reservou para si tanta liberdade que não estamos em condições de competir com ela em toda a sua extensão ou de acossá-la com o nosso saber e nossa ciência".

A filosofia yogi traz consigo essa consciência. Que é a consciência de unidade entre todas as manifestações de vida, entre nós e a natureza. E, a partir disso, não comer carne não nasce de uma atitude de ativismo ambiental – apesar de hoje haver argumentos de preservação ambiental suficientes para pararmos de comer carne –, mas de uma atitude de reverência a todas as manifestações de vida, de respeito à natureza.

E, mesmo sendo vegetarianos, estamos às avessas com o que escolhemos para nos alimentar. Quando moramos em cidades e não produzimos o nosso próprio alimento, perdemos a consciência sobre a cadeia alimentar. Os alimentos chegam às nossas mãos praticamente prontos. Assim, perdemos também a consciência sobre todo o processo de produção do alimento. É isso que faz com que a criancinha que vive na cidade se sinta maravilhada ao descobrir que o ovo vem da galinha. Ou o que faz com que ela ignore que a carne que ela come vem do mesmo bichinho que ela vê nos desenhos animados da televisão. Esses são exemplos grotescos, mas o fato é que hoje é difícil monitorar a forma como é produzido o que comemos. Especialmente no nosso país, onde não podemos confiar nos órgãos públicos reguladores que deveriam garantir a qualidade do que é produzido. Cabe a nós buscar, vegetarianos ou não, pesquisar e procurar consumir alimentos frescos, de preferência não industrializados e de pequenos produtores locais, para podermos saber a origem do que nós consumimos.

Consumo consciente não se restringe aos alimentos, inclui muita atenção diária e reflexão sobre o que realmente necessitamos, o que é superficial e o que é necessário. Precisamos ter claro o valor que os objetos realmente têm para nós. Como indivíduos, cidadãos e yogis temos esse comprometimento com a coletividade e com o meio ambiente. E se agirmos (consumirmos) conscientes e pensando não só em nós, mas no todo, já estamos fazendo muito. Consumir consciente é uma grande força de reivindicação que nós temos e o Yoga pode ser uma importante ferramenta que nos mantém alertas, despertos, com o pensamento voltado para nós e para o Todo.

Desde 2008 Tales edita os Cadernos de Yoga e ministra cursos de Formação em Florianópolis (UFSC), Fortaleza, Goiânia e Aracaju. É diretor da Aliança do Yoga e vice-presidende do Incomun - Instituto Comunitário de Desenvolvimento Sustentável. Atualmente dedica-se ao estudo de Vedanta com a prof Gloria Arieira.
contato: wwww.vidadeyoga.com.br | vidadeyoga@gmail.com
www.cadernosdeyoga.com.br
www.aliancadoyoga.com.br
www.incomun.org.br


Meditação no Yantra

Por Márcia De Luca



Enquanto você olha para o yantra, focalize o seu centro. Este ponto central é chamado de bindu e representa a unidade que está por trás de toda a diversidade do mundo físico.

Agora focalize o triângulo que envolve o bindu. O triângulo que aponta para baixo representa o poder criativo feminino, enquanto que o triângulo que aponta para cima representa a energia masculina.

Expanda seu olhar até incluir os círculos externos aos triângulos. Eles representam os ciclos dos ritmos cósmicos. A imagem do círculo incorpora a noção de que o tempo não tem início nem fim. A região mais longínqua do espaço e o núcleo mais interno de um átomo pulsam ambos com a mesma energia rítmica da criação. Esse ritmo está dentro e fora de você.

Perceba as pétalas de lótus do lado externo do círculo. Observe que elas apontam para fora, como que se abrindo. Elas ilustram o desdobrar de nosso entendimento. O lótus também representa o coração, o assento do Eu. Quando o coração se abre, o entendimento vem.

O quadrado na parte externa do yantra representa o mundo da forma, o mundo material que nossos sentidos nos mostram, a ilusão de separação, de limites e fronteiras bem definidos. Na periferia da figura existem quatro portais em forma de T. Observe que apontam para o interior do yantra, os espaços mais internos da vida. Eles representam nossa passagem terrena do externo e material para o interno e sagrado.

Agora, por alguns instantes olhe para dentro do yantra, permitindo que as formas e desenhos diferentes surjam naturalmente e deixe que seu olhar fique desfocado. Olhe para o centro do yantra. Sem mover os olhos, gradualmente comece a expandir seu campo de visão. Continue a expandi-lo até que esteja recebendo informação de mais de 180º. Observe que toda esta informação estava lá o tempo todo, que você apenas se conscientizou disso agora. Agora, lentamente, reverta o processo voltando a enfocar novamente o centro do yantra.

Lentamente, feche os olhos. Você ainda pode ver o yantra com os olhos da mente. Os desenhos representados por essas formas primordiais expressam as forças fundamentais da natureza. Elas governam o mundo e governam você.


Márcia De Luca escreveu esse texto para seu curso de Formação de Professores. É autora do livro Ayurveda – Cultura de Bem Viver (Editora de Cultura) e apresenta na Rádio Eldorado os Boletins Filosofia de Bem Viver. www.ciymam.com.br


terça-feira, 11 de maio de 2010

OS Cinco Portais para a Farmácia Interna: Audição

Por Márcia De Luca

A VIDA É INTERAÇÃO ENTRE O AMBIENTE E NÓS MESMOS.
Os cinco órgãos dos sentidos – nossos ouvidos, pele, olhos, língua e nariz – são portais pelos quais percebemos o mundo. Assim como os tecidos de nosso corpo são formados a partir do alimento que ingerimos, nossa mente forma-se a partir de nossas impressões sensoriais.

A qualidade destas impressões determina a qualidade de nossos pensamentos e sentimentos. Sons, sensações físicas, visões, gostos e cheiros, tudo pode ser utilizado para equilibrar, nutrir e curar. Dar preferência aos estímulos que equilibram nossa atual fisiologia psicofísica assegura ótima integração entre mente, sentidos, corpo e ambiente.

A cura pelos sons
Enquanto ouvimos palavras inspiradoras ou uma bela peça musical, uma cascata de substâncias químicas produtoras de prazer corre por nosso corpo, restaurando a saúde e a totalidade. Praticamente toda cultura no mundo reconheceu as propriedades curadoras e unificadoras do som. O som pode ser usado para criar harmonia e coerência dentro de nosso corpo, mente, emoções e espírito.

Sons que promovem cura são chamados sons primordiais. Sons primordiais são vibrações da natureza, mais sutis que as palavras ou a linguagem. O soprar do vento, a cadência da chuva e o canto dos pássaros são exemplos de sons primordiais. Esses sons da natureza nos lembram nossa natureza essencial.

Os mantras são sons primordiais que expressam vibrações fundamentais da linguagem. Quando usados em meditação silenciosa, os mantras servem de veículo para aquietar a mente e expandir a consciência.

A música é outra força curativa poderosa, que tem profunda influência em nosso corpo e em nossa mente. Há músicas que nos animam, transmitindo-nos energia quando estamos nos sentindo letárgicos ou deprimidos, enquanto melodias suaves nos acalmam quando estamos nos sentindo ansiosos. Cada indivíduo reage a seu próprio modo a diferentes tipos de música. Experimente à vontade até encontrar a música que o agrade e crie sua própria playlist de sons curativos.

Leia também:
A rotina de saúde apropriada para seu biótipo segundo o Ayurveda.

Márcia De Luca escreveu esse texto para seu curso de Formação de Professores. É autora do livro Ayurveda – Cultura de Bem Viver (Editora de Cultura) e apresenta na Rádio Eldorado os Boletins Filosofia de Bem Viver. www.ciymam.com.br


Meditação para Crianças

Por João Soares e Rosa Muniz ─ Yoga com Histórias

É importante acreditarmos que as crianças podem se iniciar na meditação, mesmo que isso a princípio aconteça apenas por alguns minutos, ou menos.

A nossa mente, assim como a das crianças, vive em um turbilhão de pensamentos e desejos. E, nesse processo, não conseguimos nos observar e entender o que realmente queremos. Com excessos de desejos, criamos e acreditamos em nossos sofrimentos, valorizando cada vez mais a ideia de que ter é muito mais importante do que ser.

Proporcionar à criança a percepção de que existe um espaço interior, onde ela pode se recolher, buscar orientação, se conectar com um aspecto mais sagrado de si mesma, é também a função da meditação para crianças.

Geralmente os pequenos estão prontos para se iniciarem na meditação quando conseguem acompanhar uma história, mas é importante que eles percebam que isso não é uma obrigação.

Devemos deixar claro que acompanhar uma história, um relaxamento etc., ainda não é meditação, mas sim instrumentos importantes que prepararão a criança. Meditar é entrar em contato, ir além da mente, perceber o que acontece quando a mente silencia e algo se expressa.

Para os adultos, poderíamos chamar esse "algo" de Deus interior, Essência, etc., mas para as crianças, aqui, chamaremos de força interior.

Como sempre partimos do lúdico, faz-se necessário o uso das imagens que surgem com as histórias até o ponto em que o professor pedirá para a criança só observar a força, ou o que ela percebe dentro de si, aí sim podemos acreditar que a criança terá seus próprios elementos para meditar.

A meditação oferece, comprovadamente, uma série de benefícios para crianças, entre eles: diminuição do fluxo de ondas betas no cérebro, que estão relacionadas ao estresse, adrenalina e cortisol, além de ajudar no controle das reações impulsivas (cérebro reptiliano). Ajuda também a trabalhar em ondas alfas que estimulam a criatividade e o aprendizado, como também o olhar mais holístico para o universo.
A meditação estimula partes do cérebro que estão relacionados à autoestima, ou seja, também estimula a inteligência intrapessoal. Ajuda no combate ao déficit de atenção, estresse e hiperatividade infantil, potencializa a concentração.

Se a meditação for praticada antes da aula de Yoga, ou fora desse contexto, sugerimos alguns alongamentos para preparar o corpo. As crianças podem se sentar diretamente em seus tapetes, mas podemos também usar um cobertor ou uma almofada para elevar o quadril, o que ajudará a manter a coluna reta.

Para começarmos com nossa meditação, vamos usar a figura do mago, que já é conhecido pelas crianças.

O Cristal Mágico

Feche seus olhos e me acompanhe nessa jornada: sinta seu corpo confortável, suas costas esticadas e seu rosto completamente relaxado.

Respire devagar como se seu corpo fosse um imenso balão a se encher. Solte o ar devagar como se o seu corpo fosse um imenso balão a se esvaziar. Encha o balão. Esvazie o balão.

Sua mente está tranquila e pronta para passear no mundo da imaginação!

Gostaria de lhe apresentar um amigo muito especial! Um antigo mago, que viajou por toda a Índia e aprendeu muitas coisas interessantes! Com suas barbas compridas e bochechas rosadas, sempre foi respeitado por todos, em todos os lugares do mundo, pois seus poderes mágicos, sua sabedoria e sua bondade já ajudaram muitas e muitas pessoas!

Ele traz uma pedra, coloca em suas mãos e pede para que você a segure.
Sinta a pedra com suas mãos.

Toque, explore. Sinta sua textura. Sinta sua temperatura.

Perceba se ela é lisa, quente ou fria, grande ou pequena. O Mago pede que você segure a pedra com as duas mãos e sinta tudo que você consegue perceber. Esta pedra foi criada pela Mãe Terra há muito, muito, tempo atrás e traz dentro dela toda a força de todo este tempo: uma grande e poderosa energia!

Perceba que, ativada pelo toque de suas mãos, pelo seu poder pessoal, toda esta força se ativa, torna-se novamente viva. Sinta como a pedra brilha intensamente. Perceba que ela se transforma em um lindo cristal!

O cristal tem o poder de enviar energia para todo o seu corpo, para os seus pensamentos e para a sua alma! Sinta seu corpo forte e vivo! Sinta seus pensamentos tranquilos e inteligentes. Sinta sua alma viva dentro de você.

Sinta que a energia de todas as coisas da vida também está presente dentro de você!

E sentindo toda esta magia, permaneça em silêncio...

Leia também:
Praticando com Ganesha
Dicas do Théo
Amigos do Yoga

Texto escrito por João Soares e Rosa Muniz para o curso de formação para professores de Yoga para crianças. Visite www.yogacomhistorias.com.br