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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Kundaliní, o Poder Serpentino, e os Chacras

Por Pedro Kupfer (para o site www.yoga.pro.br)


O Yoga vê o homem como um reflexo do macrocosmos. A energia criadora que engendra o Universo manifesta-se no homem, que não está separado nem é diferente dela. O nome dessa energia é kundaliní. A nossa consciência individual é apenas uma das suas dimensões, pois energia e consciência não são coisas separadas. A ciência concorda com o Yoga em que o universo é um verdadeiro mar de energia. Eles diferem, entretanto, quanto ao significado dessa constatação. O Yoga diz que ela possui implicações pessoais profundas. Se a matéria é de fato vibração, então o corpo humano, que faz parte do mundo material, também está feito de energia. Consciência e energia estão intimamente ligadas, sendo dois aspectos da mesma realidade.


O corpo humano não é apenas matéria inconsciente ou uma carcaça habitada por uma alma etérea, mas uma realidade vibratória animada pela mesma consciência que anima a própria mente. Por isso, deveríamos deixar de vê-lo como algo diferente do nosso ser "invisível". Pense no seu corpo como um receptáculo de energia cósmica, um aglomerado de átomos conscientes, construído à imagem do macrocosmos. A consciência vibra em cada uma das suas células, o prána está presente em todos seus tecidos. Quando corpo e mente se unem, a consciência do corpo sutil começa a revelar-se.


O Yoga afirma: você é a própria existência. Toda divisão do tipo corpo-mente, carne-espírito etc. é pura especulação. A diversidade aparece dentro da Unidade, sem separar-se dela. A existência é uma continuidade que se estende desde o princípio da Consciência (Purusha) até o aspecto mais denso da matéria. O microcosmos reflete o macrocosmos: o infinitamente grande é igual ao infinitamente pequeno. É sabido que o homem utiliza menos de dez por cento da capacidade do seu cérebro. O Yoga é um caminho para desenvolver os outros noventa por cento e penetrar em dimensões desconhecidas do nosso ser.


Kundaliní é a detentora da força, o suporte e o poder que move não apenas o indivíduo, mas também o Universo. Macrocosmicamente, ela é Shaktí, Prakriti, a manifestação do poder de Shiva. Na escala humana é a energia, o motor, a causa do movimento e da vida do indivíduo. O despertar dessa força conduz à iluminação. A kundaliní representa-se no homem como uma serpente adormecida, enrolada três vezes e meia em torno do shivalingam (o falo, símbolo do poder gerador masculino), obstruindo com a sua cabeça a entrada da sushumná nádí, o canal mais importante dos que veiculam os alentos vitais, situada na base da coluna vertebral, no chacra chamado múládhára.


O despertar da kundaliní produz um calor muito intenso. A sua ascensão através dos chacras, num processo sistemático e gradual, desenvolve poderes latentes. O processo consta de duas etapas: na primeira, o yogin procederá à saturação prânica do organismo através dos exercícios, a segunda é o despertar em si. A técnica consiste em concentrar o prána em idá e pingalá nádí, levando essa energia para o múládhára chacra. O iogue faz com que o prána chegue até onde reside a kundaliní, cessando esta então de circular pelas duas nádís e concentrando-se na entrada da sushumná, que está bloqueada pelo primeiro nó, o brahmagranthi.


Transposto este obstáculo, acontece o despertar e desenvolvem-se os fenômenos subsequentes: ascensão pela sushumná nádí, penetração e ativação dos centros de força e samádhi, que acontece quando a serpente chega ao sétimo chacra, chamado sahásrara, no alto da cabeça: "Um clarão intensamente abrasador brota no corpo. Kundaliní adormecida, aquecida por esse abrasamento, desperta. Tal como uma serpente tocada por uma vara, ela levanta-se sibilando; como se entrasse em sua toca, introduz-se na brahmanádí (sushumná)." Hatha Yoga Pradípika, III:67-6.


Os chacras são os centros de captação, armazenamento e distribuição de energia no corpo. Literalmente, chacra significa roda, disco ou círculo. Também recebem o nome de padmas ou lótus. Existem milhares de centros de força distribuídos pelo corpo todo, porém, para efeito da prática, nos ocuparemos apenas dos sete principais, que se encontram ao longo da coluna vertebral e na cabeça. Eles são: múládhára, swádhisthána, manipura, anáhata, vishuddha, ájña e sahásrara chacra. Estão unidos entre si pelas nádís, os canais de circulação da energia, como se fossem pérolas de um colar.


A aparência desses chacras é circular, brilhante, como pequenos CDs, de quatro ou cinco dedos de largura, que giram vertiginosamente. O elemento que corresponde a cada chacra determina a sua cor. Cada um tem um bíja mantra, isto é, um som semente, ao qual responde quando é devidamente estimulado. Representam-se com um número definido de pétalas, sobre as quais aparecem inscritos fonemas do alfabeto sânscrito, os bíjas menores, que simbolizam as manifestações sonoras do tipo de energia de cada chacra. Dessa forma, cada fonema estimula uma pétala definida de um chacra. Esse é o motivo pelo qual o sânscrito é considerado língua sagrada: o seu potencial vibratório produz efeitos em todos os níveis.


Cada chacra tem igualmente uma deidade e uma shaktí, com diferentes nomes, atributos, emblemas etc. Isto não significa que no corpo sutil existam pequenas imagens de deusas e deuses cheios de braços e cabeças, e armados até os dentes, assim como não há neles diagramas geométricos ou animais imaginários. São símbolos das propensões e latências samskáricas associadas a cada centro. Esses símbolos falam diretamente à mente subconsciente. Não precisam ser "interpretados". A única coisa a fazer é observar-se frente a eles, e às emoções que despertam.


Quando você visualiza, por exemplo, uma shaktí carregando uma caveira cheia de sangue ou uma espada na mão, deve prestar atenção à reação que essa imagem provoca na sua consciência. Isso tem por objetivo detectar seus condicionamentos, para poder trabalhar sobre eles. Preste muita atenção a esses detalhes. Observe-se atentamente o tempo todo, porém, com mais cuidado ainda enquanto acompanha a construção mental dessa parte dos chacras. Compare essas vivências e seus resultados, e veja como elas mudam de chacra para chacra. Se em algum momento você percebe que um símbolo destes provoca uma reação como medo ou surpresa em você... atenção! Pode ser sinal de que poderá ter uma revelação sobre si próprio nos próximos minutos. Observe-se. Observe-se o tempo todo.


Entretanto, a experiência com essas imagens só pode ser aproveitada devidamente quando o praticante consegue um bom grau de auto-observação. Se você for iniciante, pule a descrição das deidades e trabalhe apenas sobre os símbolos geométricos e as cores dos tattwas, que já são por si só muito poderosos. Existe uma analogia entre os chacras e os diversos plexos do corpo físico, mas é um erro querer identificá-los com as partes da anatomia humana.


Ao meditar nos chacras, você não deve prestar atenção ao corpo físico, mas ao corpo sutil, no espaço interior. Pense nos chacras como redemoinhos com o centro mais claro que as extremidades, girando vertiginosamente em ambos os sentidos. Você poderá perguntar: "em ambos os sentidos? Como assim?" Assim mesmo. Os chacras giram em ambos os sentidos. E giram muito rapidamente.


O processo respiratório não é apenas inspirar ou apena expirar. Os chacras não giram só para a direita ou só para a esquerda. O universo é expansão e recolhimento, em todos os planos. Quando se medita sobre um chacra, uma das coisas que se precisa fazer é ver qual é o movimento dominante nele, se horário ou anti-horário. O movimento horário faz com que o chacra projete energia para fora. O anti-horário é para captar energia do ambiente. Isto é fácil de se conseguir com um pouquinho de prática, usando a intuição. Raramente falha.


Como acabar definitivamente com a dúvida sobre o sentido do giro? Yata Brahmande tata pindade: assim como é no Universo, assim também é no ser. O mesmo exemplo que se usa na física para explicar o fluxo dos campos magnéticos, se aplica perfeitamente ao movimento dos chacras.


Faça assim: feche o punho da sua mão direita e deixe o polegar para cima. Com uma caneta, desenhe uma flecha na gema do polegar e uma flecha nos lados visíveis dos dedos indicador e mínimo, com as pontas voltadas em direção às unhas.


Lembre que a energia sempre circula desde o punho para as pontas dos dedos. O polegar simboliza a energia que entra ou sai do chacra. Vamos checar, por exemplo, em que sentido está girando neste momento seu swadisthána chacra. Feche os olhos e concentre-se no chacra.


Observe-o, respirando profundamente durante alguns instantes. Concentre-se no sentido do giro. Se o chacra estiver girando em sentido horário (ou seja, se estiver girando no mesmo sentido que os ponteiros do relógio, quando você olha de frente para ele), você apoia o punho com o lado do dedo mínimo voltado para o seu ventre.


O giro do chacra coincide com o sentido da seta que você desenhou no dedo mínino. Aí você repara que a energia está saindo, conforme indica a seta do seu dedo polegar. Se for ao contrário, se o seu chacra estiver captando energia do ambiente, ele tenderá a girar em sentido anti-horário. Nesse caso, observe a seta desenhada no seu dedo indicador e volte o polegar em direção ao seu ventre. Isso vai lhe dar a pauta do movimento predominante. Mas não esqueça que eles giram em ambos os sentidos.


Faça o seguinte experimento: encha um aquário com água limpa. Prepare separadamente dois copos de água tingida com anilina da mesma cor: um deve ser de cor bem intensa, enquanto o outro deve ter uma cor mais clara. Jogue ambos os líquidos coloridos ao mesmo tempo no aquário e observe. O que você vê? Quando as águas se misturam, dá a nítida sensação de que a cor mais forte está "entrando" na cor mais clara. Mas, em verdade, o que acontece é que as partículas de água mais clara também estão "entrando" na água mais escura. Da mesma forma, quando você vê um chacra girando, apenas percebe o movimento aparente dele, aquele que prevalece. Os chacras sempre giram em ambos os sentidos, mas sempre predomina um.


Curso com Pedro Kupfer


Yoga Ayurveda e Liberdade

Márcia De Luca e Pedro Kupfer

Data: 29 e 30 de outubro
Horário: sábado das 9h às 17h domingo das 9h às 13h
Local: Yoga Flow CIYMAM (São Paulo-SP)
Infos AQUI


Pedro Kupfer é professor de Yoga, mora em Mariscal - SC e é editor do site http://www.yoga.pro.br/inicial.php.


Pranayama 24 horas


Por Nubia Teixeira

A palavra pranayama é derivada de dois termos em sânscrito: prana, que significa energia vital e ayama, que significa controle e expansão. A intenção dessa prática é respirar de forma consciente. O volume desse prana, que circula dentro do nosso corpo, determina nosso nível de vitalidade.

A melhor forma de praticar os exercícios respiratórios do Yoga é se concentrar totalmente na prática, sentado de maneira apropriada, mas existem formas de trazer a prática para sua vida diária se você achar que não tem tempo suficiente para se dedicar a uma prática de meditação e pranayama.

Os exercícios respiratórios podem ser praticados em diferentes horas do dia e trazem mais luz e energia para sua vida. Os três exercícios a seguir podem ser feitos quando acordar, ainda na cama, deitado (sem travesseiro) com barriga para cima e joelhos flexionados, pés apoiados na cama afastados na distância do quadril (swara shavasana). Veja a descrição de cada um e como executá-los.

1. Adhama – Respiração abdominal

Deite-se na postura acima descrita, relaxe os ombros e traga as palmas das mãos no abdome, descansando os cotovelos na cama. Inspire pelas narinas, relaxando os músculos do abdome e expandindo-o em direção a caixa torácica. Expire pelas narinas, contraindo o abdome e levando o umbigo em direção a coluna. Concentre toda sua atenção na área abdominal, massageando seus órgãos internos com o movimento. Encontre o mesmo ritmo para a inspiração e expiração e relaxe sua mente nesse ritmo. Repita pelo menos 12 ciclos dessa respiração.

2. Madhyama – Respiração no diafragma

Na mesma posição, leve suas mãos para a caixa torácica de modo que as pontas de seus dedos se toquem e mantendo os cotovelos para baixo. Mantenha o peito aberto e os ombros para baixo. Enquanto inspira, expanda sua caixa torácica para fora e para cima, preenchendo o diafragma com ar. Note que as pontas dos dedos se afastam. Em sua expiração, contraia o diafragma, movendo a caixa torácica para dentro e as pontas dos dedos se juntam novamente.

Novamente a inspiração e a expiração devem ter a mesma duração.

Essa respiração ajuda a digestão e estimula o plexo solar. Repita por pelo menos 12 ciclos.

3. Uttama – Respiração torácica

Deitado na mesma posição com as mãos próximas ao quadril inspire e expanda o tórax para cima em direção ao teto e as laterais do peito para fora. Expire enquanto contrai os pulmões e move toda a parte superior do tronco em direção ao esterno, concentrando-se nesse ponto. Esse exercício pode ser feito com um bloco bem atrás do centro do coração (no espaço entre as escápulas) e outro bloco dando suporte à parte de trás da cabeça. Inspirações profundas e suaves com expirações de mesma duração; repita por pelo menos oito ciclos.

Bom dia!

Você pode fazer os exercícios acima sucessivamente, fazendo uma pequena pausa (dois matras) entre cada fase da inspiração e então expire fazendo uma pequena pausa (dois matras) entre cada fase da expiração. Dessa forma:

Inspire no abdome – pause por dois matras
Inspire em seu diafragma – pause por dois matras
Inspire em seu peito – pause por dois matras
Expire em seu peito – pause por dois matras
Expire em seu diafragma – pause por dois matras
Expire em seu abdome – pause por dois matras
Você deve fazer pelo menos três ciclos deste pranayama.

Use o pranayama como ferramenta de sua prática de introspecção e autoconhecimento, para entrar em contato com seu Espaço Interno Sagrado, criando a abertura para conectar-se com a Fonte de Nutrição Universal.

Curso Relacionado:
Bhakti Bliss na Bahia, com Jai Uttal, Nubia Teixeira e Daniel Paul
Local: Eco Village Piracanga 
Data: 27/12/11 a 04/01/12
Infos: nubiacoruja@gmail.com 

Nubia Teixeira começou a praticar Yoga aos 16 anos e passou os últimos 20 anos se dedicando às artes de cura, Bhakti Yoga (Yoga Devocional) e à dança clássica indiana conhecida como Odissi. Hoje mora na califórnia com seu marido Jai Uttal e seu filho Ezra Gopal e viaja pelo mundo compartilhando o Yoga em suas aulas de Heart Flow Yoga. http://www.bhaktinova.com/


Supertoque


A psicóloga Bia Severino usa em seu trabalho estudos da psique na área da Física Quântica destinados ao equilíbrio das emoções, permitindo aos pacientes o confronto com seus lados "sombrios" na busca de sua integração.

Com o objetivo de transformar o ser humano, Bia usa o processo quântico para integração da mente, corpo e espírito. Saiba um pouco mais sobre essa técnica.

1. O que é o toque quântico?

Toque Quântico (TQ) é um método de cura pelas mãos que deve ser visto para ser acreditado. Empregando apenas um rápido toque em si mesmo ou em outros, é possível acelerar profundamente a resposta de cura do próprio corpo.
Através de técnicas de respiração, meditações de despertar corporal e posição das mãos, criamos um estado que estimula as células a voltarem ao estado original saudável na região afetada.

Toque Quântico é a única modalidade de energia que os Conselhos Estaduais de Enfermagem dos Estados Unidos e o Conselho Nacional de Certificação de Massoterapeutas aceitam para a recertificação periódica de seus profissionais.

2. Quais os maiores benefícios dessa técnica?

Pessoas que se interessam por autocura têm um benefícios maravilhosos dessa técnica, com efeitos rápidos e práticos.
O efeito é tão imediato e extraordinário que podemos ver, de fato, ossos realinharem-se no corpo de forma espontânea, apenas com um leve toque. Além do realinhamento estrutural, dores e inflamações são rapidamente amenizadas enquanto órgãos, sistemas e glândulas entram em equilíbrio. Praticantes na área da saúde (fisioterapeutas, reikianos, reflexologistas, enfermeiros e todas as outras modalidades que se ocupam com o bem-estar) concordam que o TQ potencializa qualquer técnica.

3. Como o TQ pode melhorar o desempenho de atletas?

Pelo desenvolvimento da consciência do corpo e de que toda cura é autocura o atleta melhora sua performance, pois se torna mais seguro e confiante.

Através do desenvolvimento da consciência do corpo o individuo torna-se mais responsável pelo que faz ao seu próprio corpo e diminui os riscos de lesões.

4. Qual a relação entre Yoga e Toque Quântico?

O QT ensina você a entender e lidar de forma harmoniosa com o seu corpo físico, mental e espiritual e potencializa o bom resultado de todas as praticas. 

5. Como o Toque Quântico pode ajudar um professor de Yoga e seus alunos?

O professor terá uma ferramenta de altíssima e eficiente qualidade nas mãos e assim poderá ajudar seus alunos no caso de lesões e problemas crônicos.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Torcicolo

Por Marise Berg

O torcicolo espasmódico (o tipo mais comum) é causado por uma contratura dos músculos do pescoço, gera dor e dificuldade de movimento. Esse tipo de contratura pode ser causada por tensão emocional, má postura, sobrecarga física, trauma por deslocamento súbito, permanência na mesma posição por períodos prolongados ou uso de travesseiro inadequado.

A Ayurveda (que em sânscrito significa "ciência da vida") recomenda um tratamento sistêmico que inclui a eliminação dos fatores causais, massagens e aplicação de calor local, uso de óleos herbáceos, além de cuidados para amenizar o estresse e a tensão.

Toda doença começa com a influência de um fator causal. É fundamental descobrir o fator e fazê-lo parar de influenciar de forma negativa (corrigir a postura, trocar o travesseiro, aliviar a tensão).

Como tratamento local, recomendam-se as massagens com aplicação de óleos relaxantes e anti-inflamatórios (de arnica ou alfavaca, por exemplo), seguidas de calor úmido (swedana – sauna localizada).

A alfavaca (Ocimum Gratissimum) tem ação antiespasmódica, com efeito de relaxante muscular e induz o sono em casos de insônia por tensão muscular. O chá pode ser preparado na proporção de quatro a cinco gramas da planta fresca ou dois a três gramas da planta seca para cada 100 ml de água. Tomar 100 ml de duas a três vezes ao dia (CARNEIRO, 2009). Também se pode aplicar compressa de suas folhas frescas na região da tensão muscular.

Como tratamento sistêmico, aplica-se o nasya – a administração nasal de óleos herbáceos – que limpa e rejuvenesce os tecidos da cabeça e pescoço, clareia os órgãos dos sentidos, remove toxinas, nutre e tonifica a região, além de eliminar os doshas em excesso.

O estresse é a soma das respostas físicas e mentais causada pela exposição aos estímulos externos de forma pontual ou contínua e prolongada. Ele é o resultado da maneira individual de percepção, assimilação e resposta aos acontecimentos da vida.

A contração da musculatura esquelética responde a estímulos elétricos enviados pelo sistema nervoso. Ou seja, quando o nosso sistema nervoso determina que estamos tensos, automaticamente os nossos músculos se contraem. Quando a tensão for a causa principal da contração muscular, os principais tratamentos aplicados são:

Shirodhara – massagem seguida da aplicação de um fio de óleo morno na região da testa (com ênfase no ponto energético entre as sobrancelhas – ajña chakra, relacionado com a consciência espiritual e a intuição. Estimula a glândula pituitária que induz a produção de serotonina, levando a um relaxamento profundo, sensação de prazer, equilíbrio e clareza mental.

• Yoga, pranayamas (exercícios respiratórios), e meditação.

Também é importante repor a energia gasta durante o dia, dormindo adequadamente (em quantidade de horas e em qualidade de sono).




Fontes:
CARNEIRO, Danilo. Ayurveda, saúde e longevidade na tradição milenar da Índia. São Paulo. Pensamento, 2009.


Anatomia do Torcicolo

Por Gerson D'Addio

Torcicolo é uma alteração do tônus muscular na região cervical e ombros, caracterizado por contratura, normalmente de um lado, alteração na postura e dificuldade na movimentação da região. 

Há vários tipos de torcicolos: os mais comuns são denominados "repentinos" e são causados por fatores como estresse, má postura principalmente ao dormir (às vezes com travesseiros e colchões também impróprios), movimentos bruscos e alterações climáticas (principalmente frio, umidade e vento). Outros tipos de torcicolo são mais graves, como o congênito e o espasmódico. Nestes casos, as causas envolvem mecanismos mais centrais e tratamentos como massagens, Yoga e outras técnicas corporais são apenas paliativos.

Cuidado com o Yoga 

Algumas técnicas de Yoga podem até gerar contraturas cervicais quando mal executadas ou quando aplicadas sem respeitar contraindicações específicas. Exemplo clássico disto são as posturas invertidas como o sirshasana (invertida sobre a cabeça).

A prevenção de torcicolos repentinos inclui alongamentos e fortalecimento cervicais. No contexto do Yoga, técnicas como halasana (postura do arado) e matsyasana (postura do peixe) podem ser bons preventivos pelo alongamento que proporcionam respectivamente para músculos posteriores (trapézio, esplênio) e anteriores (esternoclidomastoídeo), porém são fortes demais para quem está com o problema.

brahmamudra (símbolo de Brahma) pode ser de grande valia, alongando e acionando moderadamente os músculos mais acometidos, como o esternoclidomastoídeo e o trapézio. Shavasana (postura do cadáver) também pode ajudar muito, pois o relaxamento profundo reduz o tônus muscular cervical, porém pode ser necessário um apoio para a cabeça em casos de pessoas que não a acomodam bem no chão quando em decúbito dorsal (deitados de barriga para cima).

Estas últimas técnicas, além do efeito preventivo, podem auxiliar no tratamento, desde que executadas com muito vagar e moderação, sem exigências que façam aumentar a dor ou a rigidez. No caso de torcicolos espasmódicos, é imprescindível o acompanhamento médico.


Gerson D'Addio da Silva é comunicador social e educador físico formado pela USP, pratica Yoga há 19 anos e leciona há 14. Formado em Yoga pela UniFMU e Kaivalyadhama Institute de Lonavla – Índia – é mestre em ciências pela FMUSP. Coordena o curso livre de formação da Humaniversidade e é professor no Colégio Marista Arquidiocesano e em vários cursos na área.


Respire Aliviado

Por Flávia Maimoni Ribeiro

Ujjayi (ud = para cima, de nível superior, soprar, expandir, proeminência, poder; jaia = conquista, vitória, triunfo, sucesso, coerção, restrição) – respiração onde os pulmões são completamente expandidos e o tórax se torna dilatado como o de um orgulhoso conquistador

Instruções:

1. Sente-se confortavelmente em sukhasana (pernas cruzadas) ou numa cadeira, com a coluna ereta, olhando para frente;
2. Durante uma expiração prolongada, murmure a palavra “haaaaa” de forma que esta respiração produza um ruído de leve fricção ao passar pelo palato (entre a boca e a garganta); é um som semelhante ao de embaçar um vidro, ou ainda o som que ouvimos no interior de uma concha.
3. Experimente fazer com os lábios abertos e quando estiver sentindo a vibração suave do som na parte de trás da garganta, passe a fazer a respiração de lábios fechados.
4. Sentindo facilidade, experimente produzir o mesmo som ao inspirar.
5. Complete o ciclo da respiração-inspiração – pausa com o ar nos pulmões e expiração – repetidas vezes. O tempo deve estabelecer uma proporção de 1–2–2, ou seja, se for inspirar em quatro segundos, retenha oito e exale oito segundos.
6. Esta prática deve ter a duração média de 15 minutos.

Dicas importantes:

1. Observe se o som de sua respiração é seco como o vento e oco e não nasalado.
2. As narinas devem estar relaxadas (não puxe o ar com força, deixe a respiração acontecer naturalmente).
3. Algumas pessoas conseguem realizar esta respiração com facilidade, outras levam mais tempo para aprendê-la. No entanto, não desanime. Faça quantas respirações precisar com os lábios abertos até conseguir!
4. Não faça se estiver com irritações ou inflamações na garganta.

Efeitos benéficos deste pranayama:

1. Acalma a mente e os sentidos.
2. Traz leveza, bem-estar e tem efeito energizante.
3. Promove tranquilidade e, ao mesmo tempo, força para lidar com as adversidades da vida.


Flávia Maimoni Ribeiro – psicóloga, instrutora de Yogaterapia e terapeuta ayurvédica. Busca integrar os conhecimentos da saúde milenar do Yoga e do Ayurveda com a ciência moderna ocidental.


Abra Seu Coração

Por Flávia Maimoni Ribeiro

“Abra seu coração, abra seu sentimento, abra seu entendimento, deixe de lado a razão e deixe brilhar o sol escondido em seu interior”.

A culpa e a dificuldade de perdoar, segundo o Yoga e o Ayurveda, estão diretamente relacionadas ao desequilíbrio do quarto chackra (chamado de anahata) da nossa anatomia sutil. Os chackas são como filtros que nos permitem trocar informações, sentimentos e impressões com o exterior e, por sua vez, recebem as impressões vindas do mundo.

O quarto chackra, também conhecido como cardíaco, governa sutilmente o coração, sistema circulatório, pulmões, ombros e braços, costelas e seios, diafragma e tem sua correspondência bioquímica com a glândula timo.

Timo vem de tymus, palavra grega que quer dizer energia vital. Esta glândula está bastante ativa na primeira infância e vai gradativamente diminuindo suas funções ao chegar à maturidade. Quando esta glândula está ativa o organismo não envelhece. O timo é um dos pilares de sustentação de nosso sistema imunológico, juntamente com as glândulas adrenais. É extremamente suscetível às emoções como o amor ou o ódio.

Estudos psicológicos diversos pesquisaram o impacto que nossos relacionamentos têm no sistema imunológico e concluíram que compartilhar sentimentos e situações que nos incomodam pode ter um impacto bastante positivo sobre nossa imunidade. É preciso desenvolver as qualidades positivas do quarto chackra que são amor incondicional e a compaixão. Para que o amor seja despertado, é necessário curarmos as feridas emocionais (mágoas) através do perdão e da liberação do passado e suas influências no presente.

A prática de Yoga pode ser bem benéfica para iniciarmos um processo de liberação das emoções reprimidas. Algumas sugestões de prática:

Ustrasana – postura do camelo (ustra = camelo)

Postura:

1. Ajoelhe-se e fique com joelhos e pés unidos, peitos dos pés apoiados no chão com os dedos relaxados.
2. Encaixe o quadril, deixe o abdome firme e a coluna ereta.
3. Apoie as mãos espalmadas na base da coluna, parte posterior do quadril.
4. Leve os ombros e cotovelos cada vez mais para trás com a intenção de aproximar os cotovelos.
5. Mantenha o quadril na mesma linha que os joelhos, não projete o quadril para frente ou para trás, fixando-o.
6. Ainda com o quadril encaixado, contraia glúteos e abdome, incline o tronco para trás e aponte seu queixo para cima.
7. NÃO projete o quadril para frente com a pressão das mãos.
8. Apoie as duas mãos espalmadas na sola dos pés, abrindo ainda mais o peito, apontando-o para cima.
9. Caso tenha dificuldade nesta etapa, tente as seguintes alternativas:
• Afaste um pouco os dois joelhos um do outro.
• Apoie as mãos nos calcanhares.
• Apoie as mãos nos calcanhares com os dedos dos pés virados para o chão.
10. Se ainda for difícil, pule os passos 8 e 9.
11. Intenção de crescer a coluna e o pescoço para cima e para trás.
12. Mantenha a postura estável e confortável.
13. Concentre-se em respirações profundas e tranquilas (5 a 12 respirações no início).
14. Finalizando: com a força dos pés e joelhos empurrando o chão, volte o apoio das mãos na base da coluna, leve o tronco na mesma linha que o quadril, voltando para a posição vertical.
15. Para descansar, leve o quadril na direção dos calcanhares, testa na direção do chão e braços ao longo do corpo.

Dicas importantes

1. Evite esta postura se estiver com problemas intestinais, pressão alta, dor de cabeça ou se for cardíaco.
2. Fique atento à posição do quadril e das pernas, o mais importante na postura é mantê-los estáticos enquanto a inclinação ocorre somente na parte superior do corpo.
3. Proteja a sua lombar mantendo o encaixe do quadril a todo momento.
4. À medida que inclina o tronco para trás, cresça a coluna. Tanto a parte posterior como a anterior do tronco devem estar alongadas.

Caso sinta desconforto na coluna torácica ou lombar, diminua a inclinação do tronco para trás.

Efeitos benéficos da postura:

1. Diminui a rigidez das costas, ombros e tornozelos, mantendo a coluna flexível e saudável.
2. Alonga da região anterior dos braços e do corpo.
3. Fortalece o sistema imunológico.
4. Abre o coração, mantendo a disponibilidade e a entrega para as relações afetivas.


Flávia Maimoni Ribeiro – psicóloga, instrutora de Yogaterapia e terapeuta ayurvédica. Busca integrar os conhecimentos da saúde milenar do Yoga e do Ayurveda com a ciência moderna ocidental.