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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Base Segura

O exercício funcional já é bem conhecido e muito praticado no Brasil. Seus benefícios físicos são muito similares ao Yoga, já que deixam o corpo mais equilibrado, com força e flexibilidade.
Para quem já pratica Yoga, o exercício funcional pode ser um ótimo complemento físico para ajudar a fortalecer os músculos (principalmente do core) e evitar hiperflexibilidade.

A educadora física Hérica Sanfelice é especializada em treinamento funcional, além de professora de Yoga, e explica melhor os benefícios de ambas as práticas.
O que é exercício funcional? Não é totalmente errado dizer “exercício funcional”, mas este deve estar inserido dentro de um contexto de treinamento físico. Por exemplo, um treino funcional é elaborado para atender necessidades individuais envolvendo capacidades e atividades motoras específicas para cada indivíduo.

Baseado na metodologia do treinamento funcional, um treino específico é desenvolvido de acordo com características individuais, envolvendo todas as capacidades de forma equilibrada: força, flexibilidade, coordenação, equilíbrio, resistência e velocidade, de acordo com as atividades-alvo do praticante – seja no esporte ou nas atividades diárias.
O grande diferencial deste treinamento é enfatizar movimentos e não somente músculos, tornando o corpo mais ágil e apto, portanto, mais funcional. Esta abordagem atual de condicionamento físico engloba de exercícios básicos até multiarticulares e multiplanares. Envolve a propriocepção (estimula sistema neuromotor), cria sinergia entre segmentos corporais e qualidades físicas, além de fortalecer o core – centro de energia física e energética do nosso corpo.

Os princípios podem ser aplicados na prática de Yoga? Como e por quê? Existem muitas técnicas de Yoga. Algumas com mais, outras com menos ênfase no fortalecimento da região do core. Os músculos do core são 29 pares de músculos que incluem: os oblíquos (interno e externo) o transverso do abdômen, os multífidos, o reto abdominal, os glúteos, o quadrado lombar e os músculos do assoalho pélvico. Nas práticas mais intensas de Hatha Yoga, é importante a ativação do core para estabilização da coluna, aumento de qualidade no movimento e segurança na execução dos asanas. Já nas práticas mais suaves, em que a respiração é feita pelo abdômen, por exemplo, eu recomendaria um treino paralelo para o tônus muscular, a força e a habilidade de estabilização da coluna.
No que diz respeito aos princípios do treinamento, o professor ou praticante de Yoga pode elaborar sua aula estimulando as capacidades – força, flexibilidade, agilidade (força+velocidade), coordenação, resistência e equilíbrio – e habilidades motoras desejadas com o amplo repertório do Yoga.

Quais os benefícios de praticar Yoga e exercício funcional? O objetivo é desenvolver o corpo integrado. O Yoga é um sistema completo, sem sombra de dúvidas: fortalece corpo, mente e alma. Regula os hormônios, ajuda na administração de estresse. Atletas se beneficiam muito do Yoga como complemento do treino específico, pois atingem mais equilíbrio mental e emocional nas competições. Já o treinamento funcional melhora não só a performance de atletas ou esportistas, mas também é importante para manter a saúde dos ossos e a vitalidade dos músculos de qualquer indivíduo, desde a  infância à terceira idade.
“Você é tão forte quanto seu elo mais fraco”, portanto trabalhar as deficiências, fortalecer as articulações e músculos estabilizadores, incluir estímulos diferentes no treino resulta numa vida mais saudável e plena, com mais prazer e menos dor, além de prolongar nossa independência nas AVDs (Atividades da Vida Diária) até idades mais avançadas. A prescrição dos treinos deve estar de acordo com as atividades-alvo para se somarem, e pra isso é bom ter o acompanhamento de um profissional.

Qual a importância desse conhecimento para o praticante de Hatha Yoga? Consciência! Novas possibilidades. O conhecimento expande os limites daquilo que percebemos como realidade.
Do ponto de vista técnico, as posturas do Yoga exigem flexibilidade excessiva. Quando uma pessoa pode movimentar suas articulações e ligamentos além do esperado, esta hiperflexibildade afeta toda a biomecânica do corpo e, caso não haja um fortalecimento muscular e articular (ligamentos, tendões) adequado, além de um trabalho neuromotor (proprioceptivo), isto pode gerar lesões e desequilíbrios posturais, dores e desconforto. 



Treinamento Funcional

3ª e 5ª das 9h30 às 10h30
com Hérica Sanfelice
Contato: (11) 2613-8825


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

As Evidências Científicas da Espiritualidade (2)

Por Amit Goswami

extraído do livro O Ativista Quântico (Ed. Aleph, 2009), de Amit Goswami
Para ler a primeira parte desse texto clique AQUI. 

Deus, causação descendente e livre-arbítrio


Há alguns anos, estava realizando uma palestra no Brasil sobre o recém-surgido paradigma da ciência baseado na física quântica. Um participante me desafiou:

– Já ouvi falar muito sobre novas interpretações que integram ciência e espiritualidade. Mas isso não é só teoria? Quando é que vocês vão nos apresentar comprovações ou dados?

Por um instante, fiquei abalado, mas depois respondi:

– Na verdade, fizemos nosso trabalho. As evidências científicas da espiritualidade, incluindo dados experimentais, estão aqui. Mas eu pergunto: o que estamos fazendo com elas?

A pergunta deu margem a muitos questionamentos, alguns dos quais descrevo a seguir.

• Se a espiritualidade foi restabelecida pela ciência em nossa vida, então devemos observá-la. Minha formação religiosa diz que devemos ser virtuosos. Eu gostaria de me tornar um ser humano mais amoroso, sincero, justo e solidário. A nova ciência pode me ajudar?

• Quando penso na espiritualidade, penso em Deus, e tenho dúvidas sobre Ele. Essas dúvidas fizeram com que eu me voltasse para objetivos materiais, que não me deixaram mais feliz. Eu gostaria de resgatar a espiritualidade em minha vida. O que tem a dizer a nova ciência?

• Se a espiritualidade é real, isso significa ter de abdicar de metas materiais em seu benefício? E se eu quiser explorar meu potencial criativo?

• Desisti de Deus, pois não entendo como um Deus bom permite que aconteçam tantas coisas ruins. Não consigo aceitar a divisão entre bem e mal do cristianismo popular. A nova ciência pode me ajudar nessa questão?

• Gostaria de trabalhar em soluções para nossos problemas sociais. Isso é espiritual?

Hoje, há muita gente confusa em relação à ética, ao valor da religião e da espiritualidade, e mesmo sobre o livre-arbítrio e a criatividade na busca do potencial humano; isso é resultado das afirmações categóricas e desmedidas da ciência convencional em prol do materialismo científico – todas as coisas (objetos materiais, pensamentos e ideias como espiritualidade e Deus) podem ser reduzidas a partículas elementares de matéria e suas interações.

O cristianismo popular deveria oferecer respostas a tais disposições, mas suas concepções simplistas não nos ajudam a lidar com essas afirmações. Assim, a ideia de que Deus é uma ilusão e que seria melhor esquecê-lo foi ganhando terreno.

Mas o Deus que os cientistas tradicionais denigrem é justamente aquele da crença popular simplista: um Deus onipotente que, de seu trono celeste, julga as pessoas e as envia para o céu ou para o inferno; um Deus que criou o mundo e todas as espécies vivas de uma só vez há seis mil anos; um Deus que permite que coisas ruins aconteçam a pessoas boas; um Deus que se supõe perfeito e que, no entanto, tem imagens imperfeitas – ou seja, nós.

Pois bem, precisamos ser claros. Que natureza de Deus a física quântica e o pensamento do primado da consciência estão postulando? O Deus da nova ciência é compatível com o Deus de que falam as grandes tradições religiosas? Discuti essas questões num livro recente, Deus não está morto, e apresento um rápido resumo de seus pontos básicos.

Na ciência materialista, existe apenas uma fonte de causação: as interações materiais. Damos a elas o nome de causação ascendente, pois a causa sobe desde o nível básico das partículas elementares até os átomos, as moléculas e a matéria densa que inclui as células vivas e o cérebro. Tudo bem, só que, segundo a física quântica, os objetos são ondas de possibilidade, e tudo que as interações materiais conseguem fazer é transformar possibilidade em possibilidade, mas nunca em realidades que experimentamos. Como o dualismo, este também é um paradoxo. Para transformar possibilidade em realidade, é necessária uma nova fonte de causação, e vamos chamá-la de causação descendente.

Quando percebemos que a consciência é a base de toda a existência e que objetos materiais são possibilidades da consciência, então também percebemos a natureza da causação descendente: ela consiste na escolha de uma das facetas do objeto multifacetado da onda de possibilidades, que então se manifesta como uma realidade. Como a consciência está escolhendo uma de suas próprias possibilidades, e não algo separado, não existe dualismo.


Curso Relacionado

Curso Introdutório de Formação em Ativismo Quantico com Amit Goswami

Data: de 24 a 27 de novembro

Local: Spazio Collodoro (SP)

Infos AQUI

www.amitgoswami.com.br

www.editoraaleph.com.br


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

As Evidências Científicas da Espiritualidade (1)

Por Amit Goswami
extraído do livro O Ativista Quântico (Ed. Aleph, 2009), de Amit Goswami

A ciência descobriu a espiritualidade. Hoje, há uma teoria científica logicamente consistente sobre Deus e a espiritualidade com base na física quântica e no primado da consciência. E temos dados experimentais replicados apoiando essa teoria. Noutras palavras, embora a mídia ainda não alardeie isso, há agora uma ciência viável da espiritualidade prenunciando uma mudança de paradigma, a superação da atual visão de mundo que estimula exclusivamente a materialidade.

Você pode chamar a nova ciência de ciência de Deus, mas não precisa fazê-lo. Na nova ciência, não existe Deus como um imperador todo poderoso, fazendo julgamentos a torto e a direito; existe uma inteligência pervasiva que também é o agente criativo da consciência, e que você pode chamar de Deus, se quiser. Mas esse Deus é objetivo, é científico.

E o que devemos fazer a respeito disso? O que podemos fazer para devolver Deus – na verdade, nossa própria fonte superior de causação – e a espiritualidade a nossas vidas e à sociedade? A resposta que apresento é o ativismo quântico, um movimento renovador com tríplice propósito.

Primeiro, recorremos ao ativismo a fim de chamar a atenção da mídia para o pensamento quântico e o primado da consciência; isso vai gerar apoio a novas pesquisas e conferir peso e reconhecimento ao novo paradigma em  detrimento da ciência mecanicista tradicional.

Segundo, usamos o poder transformador da física quântica para nos transformar individualmente e nos tornar exemplos e arautos da mudança social.

Terceiro, reconhecemos que a atual estrutura social, dominada pelo materialismo, não favorece a iniciativa das pessoas comuns que desejam ter uma vida significativa, criativa e transformadora. Assim, defendemos o ativismo como instrumento de mudança de nossas instituições sociais, de maneira a permitir que todos possam realizar seu potencial humano e alcançar a felicidade, o que só é possível por meio de metas criativas e espirituais. 

Curso Relacionado
Curso Introdutório de Formação em Ativismo Quantico com Amit Goswami
Data: de 24 a 27 de novembro
Local: Spazio Collodoro (SP)
Infos AQUI
www.amitgoswami.com.br
www.editoraaleph.com.br



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A sabedoria de re.co.lher

Artigo publicado no blog Moksha Yoga
Texto e ilustração por Fabiana Rodrigues

“Recolher. Do latim recolligere. Fazer a colheita de: Semear boa semente para recolher bons frutos. Juntar, reunir (coisas dispersas). Pôr ao abrigo; arrecadar, guardar. Tirar da circulação. Obter como recompensa ou resultado. Guardar na memória. Dar acolhimento ou hospitalidade a; abrigar. Entrar depois de ter saído; voltar para casa. Ir-se, retirar-se (para algum aposento). Concentrar o espírito na meditação: Recolheu-se para ordenar as ideias. Recolhe-se amiúde em demoradas meditações.”

Fonte: Dicionário Michaelis da língua portuguesa

Yoga = União. Recolher-se é também unir partes dispersas, algo essencial ao Yoga.

Estamos entrando da fase de lua nova, e com ela um período de seis dias de recolhimento, trazido pelo magnetismo do lado escuro, invisível e, por que não dizer, do lado de dentro.

Na natureza, neste período as fêmeas não gestantes menstruam o conteúdo que seu útero preparou, eliminam também diversas toxinas e resíduos do corpo pelos intestinos e pele, portanto os aromas corporais podem adquirir mais intensidade.

Com tanto trabalho interno, deve-se cuidar da energia vital, resguardando-a. Que tal ser gentil consigo e se dar este retiro, alinhado com o magnetismo lunar? Ora, somos feitos de 70% água. A lua interfere nas marés e, assim, em nós também.

Já falamos aqui do significado da palavra asana = assento (da alma). É sugerido por muitas sábias professoras de Yoga que se pratiquem sequências terapêuticas de asanas suaves e nutritivos neste período, trabalhando aspectos sutis da consciência e menos intensamente os grupos musculares, dando espaço para uma situação de maciez aos órgãos internos e acalmando o sistema nervoso central.

Dizem os antigos que um animal não costuma se aproximar de uma mulher em seu período menstrual. Será porque entende que ela está mais perto de sua natureza, em um momento de forte exalação de seus poderes, e a respeita como semelhante?

Na Índia as mulheres evitam cozinhar ou entrar em templos religiosos quando menstruam, para não misturar a forte energia na qual estão imersas enquanto emanando o mais significativo condutor de energia vital: o sangue. 

Não se deve entender como um período frágil, mas de recolhimento, reflexão, mergulho na obscuridade, no subjetivo e de refinamento de aspectos sutis da consciência. Muita meditação e pranayamas suaves são bem-vindos e deles se extrairão grandes benefícios.

Neste período mensal as mulheres antigas se reuniam para compartilhar sabedorias delicadas. Parece-me um ótimo momento, já que estão mais conectadas com seu mundo interior.

Curso Relacionado
Yoga para Mulheres: TPM e período pós-menstrual
Data: 14 de novembro
Local: Yoga Dham (SP)
Infos AQUI.

Fabiana é instrutora de Hatha Yoga, baseada no método Iyengar, tem 34 anos e pratica há 11. Formada em Arquitetura e Urbanismo, se especializou em Design Gráfico. No passado praticou Kundalini Yoga e Ashtanga Vinyasa Yoga. Quando decidiu se aprofundar no método Iyengar Yoga, iniciou sua formação com Kalidas Nuyken e está finalizando a mesma com Sandro Bosco, em São Paulo. Dedica-se aos estudos, cursos, práticas e ensino deste método. Estudou Biopsicologia com a Dra. Susan Andrews, no Instituto Visão Futuro, com foco em processos de auto-realização do ser humano. Com interesse também em ferramentas como psico-geografia, bioenergética e anatomia emocional, desenvolve no momento um projeto de pesquisa sobre a construção da imagem corporal e outros impactos psicológico-comportamentais da prática de Iyengar Yoga em habitantes de centros urbanos contemporâneos. Editora do blog Moksha Yoga.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A Arte de se Tornar um Professor de Yoga

Por Micheline Pierrette Berry
A arte de se tornar um professor de Yoga é uma jornada profundamente pessoal, que nos retorna à conexão autêntica com nosso próprio ser, para que assim possamos guiar outros a fazer o mesmo. Comprometer-se com esse destino de ensinamento é, portanto, comprometer-se a incorporar e integrar sua própria força vital, “seu Yoga”, sua arte, e permitir que esta encontre sua expressão no mundo, e inspire outros a fazer o mesmo.

Existem muitos nomes para a força vital do nosso corpo: prana densificado, energia, shakti, vida, spanda (a pulsação jubilosa). Como professores e praticantes de Vinyasa Flow Yoga ao longo do percurso, começamos com anamaya kosha, trabalhando cada asana e o corpo físico para nos auxiliar, e aos nossos estudantes, a navegar, abrir e integrar os portais energéticos e emocionais/mentais do corpo (pranamaya kosha e manomaya kosha, respectivamente). Com o tempo e a prática, começamos a cultivar uma vigorosa capacidade, não só para sentir e ver, como também para moderar ou ativar inúmeros estados do ser. Desse modo, nossa prática e ensino do Yoga podem se tornar uma forma eficaz de incorporação integrada, e não somente uma forma estruturada de exercício “físico”. 
CURA, INTEGRAÇÃO E INCORPORAÇÃO 
A integração dentro da nossa prática de asanas nos lembra que, como professores, estamos nutrindo nossos alunos não só fisicamente, mas também intelectual e emocionalmente. Isso se reflete na forma como alinhamos as sequências de vinyasa, na medida em que aprendemos a ativar uma variedade de estados energéticos de incorporação. Da exaltação das ondas solares à profunda calma das ondas lunares. Do esforço no trabalho de core ao relaxamento profundo na abertura dos quadris, e a expansão do coração nas extensões.

Na prática de Vinyasa Flow, as tranquilizantes ondas lunares agem como contraponto à natureza ativa das ondas solares e facilitam a introspecção. Então, as sequências lunares (incluindo as sequências restauradoras e o trabalho consciente dos chakras e seus respectivos atributos psíquico-estruturais), nos permitem contemplar a importância da integração na escolha geral dos asanas em uma aula de vinyasa.
Manter-nos saudáveis, equilibrados e nutridos como professores exige um aprofundamento do nosso trabalho pessoal de autocura, que inclui a introspecção. Possuímos muitas ferramentas de integração à disposição, como a psicologia junguiana, a meditação budista e o sistema de chakras, como mapas do corpo e da mente, que, retirados do contexto esotérico, fornecem meios de grande efeito para a catalisação de transformações relevantes, em uma aula, um relacionamento ou na vida em geral. Explorando sentimentos e emoções que surgem na nossa prática através da autoanálise, a transformação e a cura tornam-se possíveis. 
Como professores modernos de Vinyasa Flow Yoga, aprendemos como integrar o alinhamento estrutural e energético como uma fonte autêntica de inspiração, permitindo que nossos estudantes tenham uma experiência gratificante e integrada de Yoga Sadhana no processo. Em nosso sistema de Liquid Asana Vinyasa Flow Yoga, utilizando contribuições do tantrismo e budismo, tudo na vida – inclusive arte, psicologia, filosofia, sua própria experiência – torna-se material de inspiração para o seu ensino, “grão para o moinho”, como Ram Das diria. O Nirvana e a cura não são eventos futuros, estão aqui e agora em seu corpo, em seu tapete, em sua própria vida. Comece onde você está! 
 
Cursos Relacionados
Formação de Professores em Vinyasa Flow Yoga com Michelline Berry
Módulo 1: de 29 de outubro a 7 de novembro de 2011
Módulo 2: de 20 a 29 de janeiro de 2012
Informações: (11) 38496857
Saiba mais AQUI

O Vinyasa Flow Yoga da Micheline Berry faz você viajar na liberdade líquida do seu próprio corpo, unindo-se à estrutura fortalecedora das posturas de Yoga (asanas). Frequentemente acompanhado por música ao vivo, o trabalho dela é reconhecido como uma espécie de ritual urbano, que catalisa e aprofunda o fluxo de Prana Shakti, a energia vibrante e sensual que existe em todos nós como um potencial criativo. Através deste trabalho integrante, você põe para fora suas energias criativas latentes e sai se sentindo profundamente rejuvenescido.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A concentração


Por Gustavo Ponce
Ilustração por Rita Taraborelli

No Yoga, quando falamos em concentração, nos referimos a dharana, um dos ramos da árvore conhecida por Ashtanga Yoga. Esses oito ramos são: yama, niyama, asana, pranayama, pratyahara, dharana, dhyana e samadhi. Os três últimos pertencem ao mundo interno da mente e do espírito: concentração, meditação e contemplação. Patanajali em seus famosos Yoga Sutras dedica dois sutras (aforismos) à concentração.

A queixa mais frequente de um meditador iniciante é: "não posso me concentrar. Minha mente não quer ficar quieta e se distrai com qualquer coisa."

A mente se parece com um cachorro que late tentando cortar as cordas que o prendem e é fácil entendermos por quê. Isso simplesmente significa que você é uma pessoa normal: justamente o tipo de pessoa para quem foi inventada a meditação.

As distrações são esperadas. Podem vir de nosso estilo de vida, habitualmente distraído e que ainda não fomos capazes de controlar. Também podem vir de nossa mente subconsciente. Tudo o que experimentamos até hoje está gravado ali, agradável ou desagradável, aceitável ou inaceitável. Normalmente mantemos a tampa do pote bem apertada. Mas em estado de relaxamento, como é a meditação, as restrições são eliminadas, a tampa é retirada e muito do que mantivemos reprimido pode sair à superfície de nossa mente consciente.

Qualquer que seja a causa, devemos nos dar conta de que as distrações não são outra coisa do que pensamentos tentando se expressar – principalmente os que foram reprimidos. Não tentamos removê-los de nossa mente, isso só empurrará novamente os pensamentos ao subconsciente, à espera de outra oportunidade de voltar a surgir e nos envenenar a vida. Agimos como se não nos déssemos conta de que estão ali e olhamos em direção oposta enquanto desfrutam seu momento de liberdade pairando em nossa mente e logo voarão para o espaço aberto.

O principiante deve supor que se distrairá. É normal, pois em nossa vida cotidiana sempre estamos distraídos. Normalmente fazemos duas ou três cosias ao mesmo tempo. Lemos o jornal, mas ao mesmo tempo tomamos chá ou café. Caminhamos mas ao mesmo tempo olhamos as vitrines das lojas. Estudamos e ao mesmo tempo escutamos nossa música favorita. Comemos ao mesmo em tempo que conversamos. Dirigimos enquanto escutamos o rádio. E em nenhum momento achamos que estamos distraídos. Então vamos meditar e dizemos à mente: “agora temos que nos concentrar. Devemos pensar nisso e em nada mais”. A mente diz “isso eu nunca fiz antes. Você nunca me ensinou como fazer”. Normalmente estamos distraídos quando fazemos outras coisas. Por que será diferente quando meditamos?

O que normalmente fazemos quando meditamos é fixar a mente em um tema e tratamos de mantê-la ali. Isso é difícil e requer um grande esforço, o que sugere que algo não vai bem. Para meditar é preciso relaxar no esforço.

O que realmente devemos fazer é ir até a quietude lenta e gradualmente. É muito melhor começar com as distrações do que acabar por tê-las. Deixe que venham e vão sem se desesperar; sem removê-las da mente, mas permitindo, em troca, que entrem como passarinhos que coam por uma janela e saem pela outra. É melhor começar com meia hora de distrações para encontrar ao final alguns minutos de quietude do que o contrário. Com a prática, as distrações serão cada vez menores e poderemos encontrar mais minutos de quietude.

Em vez de forçar a mente a se aquietar, damos a ela algo para fazer, algo em que prestar atenção. Quando começamos uma meditação nossa mente está bastante ativa assegurando-se de que os pés, as pernas, os braços e outras partes do corpo estejam relaxados. A consciência corporal não apenas produz quietude física, mas também relaxamento e tranquilidade. A consciência da respiração produz esses mesmos efeitos na mente. Uma mente totalmente ocupada não tem espaço para distrações.

Uma excelente ajuda para a concentração é o uso de um mantra. Essa é uma frase curta que repetimos várias vezes. O que fazemos é dar à mente algo com que se ocupar. Começamos a repetir o mantra de forma clara: movendo os lábios e emitindo os sons. Gradualmente baixamos o volume, cada vez mais suave até o ponto em que não dizemos nenhuma palavra ou emitimos sons, estão apenas em nossos pensamentos – no mesmo ritmo. O que fazemos é dar a mente algo com que ocupar sua atenção.

Eventualmente, na medida em que nossa mente se aquieta, o mantra toma vida própria. Então não estaremos repetindo e sim o escutando como se repetisse sozinho em nosso coração. O mantra se separa dos lábios e da mente e vai ao coração. A concentração é, portanto, levar a mente a descansar em um único lugar.

Gustavo Ponce é o criador do método Sattva Yoga, estuda e utiliza Yogaterapia, é a prova viva de que consciência pode levar à cura de qualquer doença e participará do Yoga pela Paz 2011. Para mais informações consulte www.sattvayoga.cl


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cantar para Viver

Por Krishna Das Trecho do livro Cantar para viver: Minha busca por um coração de ouro, de Krishna Das, lançamento da Realejo Livros. Pré-venda AQUI.     
 
Há momentos em que sabemos com toda a certeza que aquilo que acontece realmente não tem nada que ver conosco nem com as decisões que acreditamos tomar na vida. Eu estava com Ram Dass e um grupo de outros ocidentais em Bodh Gaya no outono [segundo semestre] de 1970. (Bodh Gaya é o lugar na Índia onde o Buda se sentou embaixo de uma árvore e atingiu a iluminação.) Nós tínhamos feito cinco cursos de dez dias de meditação vipassana seguidos, e parecia estar na hora de tentar encontrar Maharajji mais uma vez.  
Alguém chegou ao lugar com um ônibus Mercedes de turismo e ofereceu uma carona de volta a Déli ao grupo. Nós resolvemos ir para lá e tentar descobrir onde Maharajji podia estar.  
A viagem era longa, demoraria o dia todo. Um dos ocidentais que estavam no ônibus tinha visitado o mela (um grande encontro em um local sagrado em um momento astrológico altamente auspicioso) em Allahabad e disse: “Sabiam que há milhões de babas e sadhus tomando banho no rio naquele lugar sagrado? Que tal pararmos lá? Fica no caminho”. Se nós parássemos no mela, as chances de chegar a Déli naquela noite não seriam muito boas, então Ram Dass decidiu não parar. E, como ele era o mais velho, era o chefe.  
Com isso, uma enorme discussão começou: cada pessoa no ônibus dizia o que queria fazer. Durante muito tempo, Ram Dass foi incisivo na decisão de não parar, mas finalmente cedeu: “Certo, nós vamos até lá e damos uma olhada de alguns minutos, mas depois voltamos para o ônibus e vamos embora”.  
Quando entramos no imenso campo no fim da estrada onde o mela tinha acontecido, descobrimos que estava deserto. Os dez milhões de pessoas que tinham estado ali uns dez dias antes tinham voltado para casa. Então, enquanto o ônibus fazia uma curva enorme e longa no campo para voltar, alguém disse: “Tem um templo de Hanuman ali... que tal nós irmos fazer uma reverência a Hanuman antes de ir embora?”  
O ônibus se virou na direção do templo e estava percorrendo uma trilha para pedestres na beira do campo quando outra pessoa gritou: “Olhem, é Maharajji!”
E, lá estava ele, caminhando de encontro a nós, meio que rindo sozinho. Ele nem ergueu os olhos quando o ônibus passou. Mais tarde, o homem com quem ele estava caminhando, que descobrimos ser Dada, nos contou que Maharajji tinha dito: “Ah, eles vieram”, e continuou caminhando. O ônibus parou e nós todos corremos para fora para falar com ele. Ele disse: “Venham atrás de mim, venham atrás de mim”. Ele entrou em um riquixá pequeno com Dada, que saiu rodando pelas ruas estreitas com aquele ônibus Mercedes enorme e reluzente atrás, com todos aqueles ocidentais malucos dentro.
Nós o seguimos até uma casa, onde ele desceu do riquixá e entrou. Nós não sabíamos o que fazer. Enquanto esperávamos parados do lado do ônibus, a mulher de Dada saiu da casa e disse: “Venham, entrem e peguem sua comida. Hoje de manhã, Maharajji nos disse para preparar comida para 26 pessoas”. Nós éramos 25, mais o motorista. Nós compartilhamos uma ótima refeição e passamos um tempo maravilhoso com Maharajji naquela casa. 
Eu repassei na mente os acontecimentos dos dois dias anteriores e todo o planejamento da viagem a Déli para encontrar Maharajji. Lembrei toda a longa discussão a respeito de parar ou não no mela. Se eu realmente tivesse capacidade para entender, iria ver que ele mandava no show, e talvez assim minha mente se entregasse.  
Krishna Das participará do Yoga pela Paz 2011
20 de agosto: show e lançamento do livro no Espaço APAS. Ingressos AQUI.  21 de agosto: show gratuito no Parque Ibirapuera.
22 e 23 de agosto: workshop no YogaFlow CIYMAM. Inscrições: (11) 3168-5096


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Entrevista com Lea Perfetti


Participante Yoga pela Paz 2011
Cia Athletica (19/8): aula de Ashtanga Vinyasa Yoga com Tarik Van Prehn
SESC Ipiranga (20/8): aula de introdução ao Ashtanga Vinyasa Yoga

Como Começou no caminho da Yoga? Enquanto estudava biologia marinha e estudos da mulher em Sydney (Austrália) alguns amigos estavam praticando, falando da Yoga (ou pelo menos falando sobre). Ainda tenho a memória vívida de escutar a palavra Yoga e ter sido imediatamente levada a esse mundo. Realmente estranho. Quando voltei para terminar meus estudos universitários em Syracuse (Nova York – EUA), me matriculei em uma aula de Hatha Yoga na faculdade. Nas primeiras semanas já fui fisgada, então comecei a frequentar as aulas na casa do professor nos meus horários livres. Lá ele me convidou para minha primeira aula de Ashtanga Yoga e desde o primeiro "vande gurunam" eu soube que isso era parte de mim.

Como a prática mudou sua vida? Quando comecei a praticar dedicava minha vida a três atividades principais: estudava intensamente, me exercitava obsessivamente (sou atleta desde muito jovem) e festas. Foi um período muito instável em minha vida. De alguma forma, naquelas primeiras aulas de Yoga tive um lampejo do que seria paz e estabilidade, mas apenas lampejos! Então, lentamente, conforme praticava cada vez mais e depois quando decidi fazer minha primeira viagem a Índia, me tornei cada vez mais estável. O Ashtanga Yoga requer uma boa quantidade de dedicação e motivação, consequentemente para praticar o resto de sua vida tem que se tornar mais organizada. Você começa a comer melhor, a dormir no horário certo, a fazer novos amigos que vivam similarmente, etc. Eventualmente, por causa de tudo isso, você começa a ter mais clareza e equilíbrio em sua vida e isso é um “catalisador” para se tornar um ser humano mais feliz.

Coletivamente, como a Yoga pode mudar o mundo? Bom, se a Yoga pode me tornar mais estável, feliz e equilibrada tenho certeza de que pode fazer isso pelo mundo!

O que te traz Paz? Estar rodeada pelas minhas crianças. Acordar de manhã cedo antes das crianças e tomar meu café em silêncio! Praticar Yoga! Estar na floresta ou na praia. Nadar no oceano, em um lago ou estar totalmente rodeada pela natureza real (sem prédios construídos pelo homem em volta). Ouvir minha música favorita. Receber uma massagem do meu amado marido antes de dormir!