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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Namastê!


Por Gustavo Ponce
Essa palavra significa “Te saúdo”. O gesto de levar as palmas juntas na frente do peito não deve ser confundido com o anjali mudra, pois neste as palmas não estão grudadas como em namastê. Neste mudra, deixamos um espaço entre as mãos ao juntar os dedos expandidos, como num botão de flor pensando em se abrir aos raios de sol. Simboliza a abertura do coração e a intenção de caminhar ao despertar da consciência.
Os mudras são uma linguagem que transcende a palavra falada ou escrita para transmitir mensagens mentais, emocionais ou espirituais. Fazemos muitos mudras de forma totalmente inconsciente, pois eles estão arraigados na cultura de cada povo. Por exemplo, se alguém está escutando com atenção, inconscientemente põe as mãos em ksepana mudra com as mãos juntas e os dedos indicadores apontando ao queixo. 
O mais famoso dos mudras é o chin mudra. Os dedos polegares e indicadores se tocam enquanto os outros três permanecem estendidos. O dedo indicador simboliza o indivíduo e o polegar a consciência cósmica. O ser humano, ao unir esses dedos, expressa o desejo de unir-se à consciência cósmica, a meta do Yoga.
Nossas mãos refletem o que acontece em nosso corpo e em nossa mente. Os mudras não são apenas gestos que fazemos com as mãos, também são gestos que fazemos com os olhos, posturas corporais e certas técnicas respiratórias, onde selamos ou retemos a energia. São usados também para mover a energia. A comunicação simbólica que fazemos, especialmente com nossas mãos, corpo e olhos, afeta certas áreas do cérebro.
Os mudras são usados inconscientemente para enfatizar, para dar como terminado algo que tenhamos dito oralmente. Isso é tão certo que você pode fazer a experiência de observar atentamente como se movem as mãos, os olhos e o corpo, é super divertido! E além do mais, é também uma espécie de exercício para se dar conta de que você faz o mesmo!
O uso consciente dos mudras é outra coisa. Cria uma conexão profunda com nós mesmos e move a energia de nossos corações para interagir no mundo de uma forma mais potente. Colocar, por exemplo, nossas mãos de uma certa maneira é expressar a harmonia com a própria vida. São muitas as tradições que trabalham com a energia das mãos, estimulando meridianos e vórtices energéticos para obter resultados curativos específicos.
Na Índia, a leitura das mãos é combinada com a astrologia, nós podemos ver como as linhas nas mãos vão se modificando à medida que mudamos o curso de nossas vidas. Portanto, os mudras podem ser usados para energizar o corpo físico, ter mais clareza mental, ajudar na tomada de decisões para mudar nosso estado emocional. Pense em como pode mudar seu ânimo quando um bebê te diz tchau com suas mãozinhas e seus olhos sorridentes. Pense como ficamos sérios quando um soldado leva sua mão em continência ou pense em sua reação quando alguém te mostra o dedo médio. O cumprimento do bebê e do soldado ou a posição de um dedo da mão são apenas pequenos exemplos de mudras culturais que foram integrados às nossas vidas cotidianas.
Os políticos têm um arsenal de gestos que usam durante seus discursos para se dirigir ao público; aos padres também são ensinados gestos com as mãos para os sermões. Até os cantores de rap têm uma linguagem completa de gestos com as mãos para acentuar suas músicas.
Por que os mudras estão arraigados em todas as culturas? Porque criam uma conexão com o mundo exterior. Podem comunicar e mudar um estado mental ao enviar uma intenção que pode afetar seu próprio estado mental e o dos outros. As pessoas veem os gestos que você faz com as mãos e respondem imediatamente, consciente ou inconscientemente. As energias elementares se põem em movimento. Os mudras, combinados com intenção, abrem energias espirituais que vibram alinhadamente com as energias rápidas que harmonizam os quatro chakras superiores. Quando os mudras são usados intencionamente, são muito poderosos.


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