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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nutrição e saúde


Por Marise Berg

Em homenagem ao Dia do Nutricionista, que aconteceu no dia 31 de agosto, vou contar por que escolhi essa profissão. Que desejo foi esse que me fez voltar às aulas aos 34 anos.

Os nutricionistas são os anjos da guarda da nossa saúde. Esses profissionais apaixonados dedicam a vida a decifrar a interação dos alimentos com o nosso organismo e ensinam formas de colocar esses estudos em prática na nossa mesa do dia a dia, fazendo a vida mais saborosa e cheia de vitalidade.

Decidi me tornar uma nutricionista sustentável partindo da consciência da importância de uma alimentação saudável não só para mim, mas também para o planeta.

A dieta adequada é um dos principais pilares da boa saúde e depende da compreensão de que tudo o que somos é o resultado da síntese dos alimentos físicos e/ou energéticos que ingerimos. Os alimentos nutrem o funcionamento bioquímico do corpo, fornecendo os substratos necessários para os processos fisiológicos que nutrem a vida. O corpo físico, por sua vez, abriga e dá suporte energético para mente e a consciência.

Os alimentos são uma fonte importantíssima de energia vital. Quando são adequados para o nosso organismo e bem digeridos, contribuem para nos tornar saudáveis. Quando a dieta não é compatível com a nossa individualidade, sofremos de desequilíbrios físicos, psicológicos e energéticos. Nossa saúde, nosso peso ideal, nossas emoções, nossa clareza mental e nosso bem estar geral dependem do que conseguimos e do que não conseguimos digerir.

Formalmente, a definição da profissão diz: o nutricionista é o profissional de saúde com formação generalista que se vale do conhecimento da ciência da Nutrição para atuar zelando pela preservação, promoção, e recuperação da saúde de indivíduos e/ou grupos populacionais. Eu vou além e complemento aqui que um nutricionista deve atuar de forma sustentável, praticando a ética ambiental, econômica e social.

A dieta sustentável deve garantir a qualidade nutricional, fomentar um sistema de produção de alimentos economicamente viável, ambientalmente sustentável e que assegure a dignidade humana. Uma dieta bacana deve ser:

• Nutricionalmente equilibrada (quantidade, qualidade, harmonia, adequação).
• Ambientalmente sustentável.
• Economicamente viável.
• Socialmente justa.
• Culturalmente diversa.

Do ponto de vista ecológico e espiritual, a escolha da dieta é baseada no conceito de não violência e compaixão pelos seres vivos, enfatizando o autorrespeito. O nosso corpo é a casa da nossa alma e dos nossos genes. É a ferramenta pela qual a nossa alma expressa os seus talentos. Um corpo malcuidado, mal alimentado, atrapalha os planos da nossa moradora mais nobre.

Temos a tendência a viver a vida no piloto automático. Ingerimos grande parte da nossa dieta pela força do hábito. Sabemos que determinados hábitos não são saudáveis, mas não conseguimos combatê-lo porque o desejo impulsivo pelo prazer é muito forte. Sabemos que alguma coisa está errada e não nos sentimos no controle da nossa saúde. Estamos convencidos de que alguma coisa precisa mudar, mas por onde começar?

Um plano eficiente de reeducação alimentar começa ao desligar o piloto automático e instalar a atenção plena. Devemos prestar atenção à potência da nossa fome, à quais alimentos nos caem melhor, qual é a quantidade de alimento que nos satisfaz e qual o sabor que mais nos agrada. Também convém sermos gratos por cada refeição que se apresenta, mesmo que ela não seja “tecnicamente ideal”.

O estilo de vida atual “exige” que a nossa atenção seja dividida simultaneamente entre diversos assuntos, o telefone, o computador etc. Comemos automaticamente os alimentos mais práticos (alimentos requentados, encaixados, enlatados, reprocessados, e por aí vai) e frequentemente pulamos refeições ou as trocamos por um shake ou uma barra de cereais. A nossa mente está em qualquer lugar, menos à mesa. Estamos assistindo TV, ou numa reunião de negócios ou acessando os e-mails. Ou seja, a conexão entre a língua – esse poderoso órgão dos sentidos – e o cérebro está “fora do ar”.

Ao dedicar alguns segundos para praticar a atenção plena e manifestar gratidão pelo alimento, estaremos nos conectando com as sensações riquíssimas captadas pelo paladar, olfato, visão, tato e audição e também enviando vibrações positivas para toda a cadeia alimentar (o solo, o sol, a chuva, quem planta, quem colhe, transporta, vende, prepara). Essa energia positiva influenciará a qualidade dessa refeição e nos permitirá fazer escolhas tecnicamente adequadas em relação à quantidade e combinação de grupos alimentares.

Estou com fome? Por que estou comendo? O que estou comendo? Estou feliz? Triste e ansioso?

A consciência alimentar é o caminho para quem deseja saúde e vitalidade. A caminhada começa com o primeiro passo e não importa quanto tempo será necessário para alcançar o objetivo final – o fundamental é que a direção esteja correta e que o caminho seja prazeroso e rico em experiências.

Quando perdemos a concentração ou comemos demais, apenas começamos novamente. Cada garfada, cada refeição, é uma chance para recomeçar.

Somos recriados a todo o momento.
Cada refeição que fazemos revela uma oportunidade de melhorar ou lesar a nossa saúde.

Marise Berg é terapeuta e culinarista ayurvédica, graduanda em Nutrição, dedicada à prática da alimentação natural e de rasayana (rejuvenescimento). 


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